Embaixador da Coréia do Sul fala de como o país vem conseguindo transformar as adversidades em oportunidades e anuncia novas negociações bilaterais de livre comércio partir de janeiro de 2018
| Oda Paula Fernandes


No quesito produtividade, o país ficou com a 39ª colocação, mas levou a medalha de prata no quesito investimento em pesquisa e desenvolvimento, densidade de empresas high-tech, e de atividades de patentes. Para alcançar esta expressão mundial, após a Península coreana ter se tornado objeto de sacrifício da Guerra Fria, que a dividiu em Sul e Norte, foram necessários seis décadas para recuperação.

Embassy Brasília – A Coréia do Sul vive novos conflitos políticos. Como o Senhor define essa Nação?
Jeong-gwan Lee – É um país que passou por grandes sofrimentos e dificuldades e conseguiu atingir o atual crescimento e desenvolvimento por meio de uma força incomum. Em 4.350 anos, a Coréia foi invadida pela China mais de mil vezes. No início do século XX, a Coréia não escapou de seu predador, a perversa soberania diante de uma onda imperialista. Provavelmente, neste último século, a Coréia tenha sido um dos países que mais passou por provações cruéis e situações adversas. Mas, por um lado, exatamente de ter seu legado de superar seu ambiente de dificuldades, posso afirmar que a Coréia se tornou um país mais fortalecido. Ainda não foram totalmente resolvidas as dificuldades geradas ao longo de anos de crise política. Mas acredito que todos concordam com o fato de que, o amadurecimento da democracia realizada pela promoção da transparência política e o melhoramento da estrutura econômica, pautada em justiça, está nos levando a dar um grande salto para um patamar superior. Por outro lado, temos a experiência da Coréia, de ter tornado real a premissa de transformar a crise e as adversidades em oportunidades.
Embassy Brasília – Quais as principais semelhanças e diferenças entre Brasil e Coréia do Sul?

Embassy Brasília – A que se pode atribuir o crescimento da Nação?
Jeong-gwan Lee – A uma série de ocorrências, de fatos históricos muito tristes, muito infelizes, mas que apesar de tudo isso a Coréia conseguiu chegar até esse nível em que está. Acreditamos que esse processo, por que passamos, em sofrimentos, dificuldades e superações, fez do povo coreano uma nação muito forte, muito tenaz. O crescimento da Coréia começa após a divisão entre as duas Coréias, na década de 1960 passamos a ter destaque na área têxtil e de calçados. Na década de 1970 passamos a fazer investimento na indústria pesada, incluindo estaleiro, siderúrgica, petroquímica, química e o setor automobilístico. Hoje, grande parte das indústrias desses setores, no ranking mundial, ocupa a 5ª ou a 6ª posição. Em tempos mais atuais, investimos na área de tecnologia da informação, incluindo eletroeletrônicos.
Embassy Brasília – Quais são os principais acordos, em vigência, entre a coréia do Sul e o Brasil?

Embassy Brasília – Pode nos dar um exemplo de acordo que está em andamento para favorecer, de fato, o trabalhador?
Jeong-gwan Lee – Temos muitas empresas coreanas estabelecidas aqui no Brasil e os funcionários pagam taxas semelhantes nos dois países. Queremos evitar a bitributação e da mesma forma, em relação ao tempo de trabalho. Se puder contar o tempo de trabalho exercido no outro país, a seguridade social será mais justa tanto para coreanos no Brasil, quanto para brasileiros na Coréia. Esse acordo não se limita a Brasil e Coréia, a gente acredita que o país tenha esse tipo de acordo com todos os países com quem tem relações diplomáticas.
Embassy Brasília – Tem alguma previsão de quando começará a vigir as negociações de livre comércio?
Jeong-gwan Lee – Para poder fazer a iniciação das negociações, propriamente ditas, ela passa por vários processos e uma delas é exatamente a faze de dialogo preliminar. Essa fase já foi concluída. Agora se faz necessário realizar a consulta em cada um dos países que integram o bloco MERCOSUL, através das quais serão colhidas todas as impressões, do que pode e do que não pode ser feito, para se chegar a um denominador comum na hora de estabelecer esse acordo. A nossa expectativa é de entrar nesta parte de negociação, a partir de janeiro de 2018, por que há vários envolvidos.
Embassy Brasília – Quais são as áreas de maior interessa da Coréia, aqui no Brasil?
Jeong-gwan Lee – O Brasil é um país de dimensões territorial continentais e a Coréia é um país extremamente pequeno e pobre em recursos naturais, enquanto essa nação é extremamente rica. Produtos agrícolas, por exemplo, aqui tem em grande quantidade. Essas são as áreas que despertam nosso interesse.
Embassy Brasília – Como estão as atividades de comércio exterior na área agrícola?
Jeong-gwan Lee – Até 2011, o comércio estava bem dinâmico em direção crescente. A partir de 2012, por conta da crise generalizada, o comércio passou a ter um pouco de queda e hoje a gente contabiliza algo em torno de 10 milhões de dólares. É um valor nada satisfatório para nós. Antes da crise, chegamos a movimentar mais de 20 milhões. Isso aconteceu, principalmente, com a chegada de grandes empresas coreanas, como a Sansung, LG, Hyundai automóveis.
Embassy Brasília – Como é o sistema educacional no país?
Jeong-gwan Lee – A gente pensa numa cultura educacional. Isso vem do confucionismo que trás, na sua lógica educacional, na educação, um pilar de toda uma sociedade. Por conta disso, a visão de necessidade em investir muito em educação está muito acima dessa importância que o Brasil dá a educação. Por outro lado, nós também temos hoje um problema, digamos assim, até social, de achar que há um exagero muito grande a importância que se dá nesse foco da educação, hoje em dia é um tema que se discute muito como um problema social.





