Em meio às discussões e debates da República, a capital do Brasil guarda obras de arte e uma arquitetura que lhe conferiram o título de patrimônio mundial da Unesco.
A Praça dos Três Poderes, com o Palácio do Planalto, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional, ocupa o cotidiano dos brasileiros no noticiário e nas decisões que influenciam a vida da população. Mas são esses endereços também obra de arte e de arquitetura de uma cidade que respira história, cultura e oferece lazer mesmo em meio a tantas negociações políticas.
Construir uma capital no Centro-Oeste brasileiro foi uma insistência do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira (1956-1960), que encomendou o projeto ao arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012). Ele, porém, recomendou que o plano urbanístico fosse feito por outro profissional e se ocupou, então, de projetar as edificações. Um concurso escolheu Lúcio Costa (1902-1998) para planejar a cidade. Sua sugestão apresentava uma cruz, depois batizada de plano piloto: ao olhar um mapa de Brasília, é possível ver um desenho que se assemelha não a uma cruz, mas a um avião estruturado em asa norte, eixo central e asa sul.
Assim, a cidade que hoje tem 2,9 milhões de habitantes foi projetada com prédios residenciais e comerciais nas duas “asas” separadas pelo Eixo Monumental, uma avenida com mais de 15 quilômetros de extensão que é endereço de pontos turísticos como a Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, o Museu Nacional da República, o estádio de futebol Arena Mané Garrincha, o Memorial dos Povos Indígenas e o Memorial JK. É nesta avenida, também, que está a Esplanada dos Ministérios.

O Eixo Monumental no seu extremo encontra a Praça dos Três Poderes, que reúne em cada ponta o Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo; STF, mais alta Corte de Justiça do País; e o Congresso Federal, onde são votadas as leis na Câmara e no Senado. Em frente ao STF, a estátua “A Justiça”, de Alfredo Ceschiatti, retrata a deusa grega da Justiça, Têmis, de olhos vendados. Outra escultura, “Os candangos”, de Bruno Giorgi, homenageia os trabalhadores que em cinco anos construíram uma cidade onde antes era uma área pouco povoada. Candangos era a forma como eram chamados os trabalhadores de todos os lugares do Brasil que imigraram para construir Brasília.
Arte por todos os lados
De Ceschiatti são, também, as obras As Iaras, que ficam no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República, “Leda e o Cisne”, no Palácio do Jaburu, onde vive o vice-presidente, e “Duas amigas”, no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores.
As obras de arte e arquitetura da cidade “conversam” com a decoração do interior dos edifícios e com o paisagismo externo. Quando se fala em Brasília, dois nomes surgem quase automaticamente ao seu lado: Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. Mas são do artista plástico Athos Bulcão (1918-2008) painéis, azulejos e relevos que se destacam nos principais cartões postais brasilienses. Os grafismos baseados em formas geométricas criados por Athos Bulcão dão as boas-vindas aos turistas já no Aeroporto Internacional Presidente Juscelino Kubitschek, no Congresso Nacional e no Palácio do Itamaraty, entre muitos outros lugares.

Criações de Athos Bulcão também podem ser observadas durante uma visita ao Itamaraty. O prédio ficou pronto em 1970, depois da inauguração de Brasília. Para apresentar o Brasil ao mundo e celebrar os laços do País com as outras nações, foi construído com materiais predominantemente brasileiros e abriga obras de nomes representativos da arte do Brasil e do Exterior. Há, ali, trabalhos de Candido Portinari, Alfredo Volpi, Djanira, Maria Martins, Tomie Ohtake e Iberê Camargo. Outro artista brasileiro contribuiu para a concepção do Itamaraty: os jardins do espelho d’água que circundam o prédio são criação do paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994).
Quase todos os endereços do poder de Brasília ostentam soluções de design, arquitetura e engenharia reconhecidos, admirados e estudados. Tanta história e um conjunto arquitetônico particular levaram Brasília a ser reconhecida Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em 1987.
Brasília oferece, também, respiro, verde e vista para o Paranoá, um lago artificial criado para ajudar a tornar aquela região menos seca e hoje área de lazer dos moradores. Uma das melhores vistas da cidade pode ser contemplada no Pontão do Lago Sul. Além de centro gastronômico, oferece atrações culturais e um grande estacionamento, um atrativo em uma cidade ainda dependente do transporte sobre carros.
Brasília pode ser vista, sentida, e, também, ouvida. É informalmente chamada de capital do rock nacional. Foi lá que surgiram as bandas Capital Inicial, Plebe Rude e Legião Urbana, entre outras. Algumas delas até colocaram Brasília em suas composições, geralmente com críticas ao poder. Mesmo com os desafios que a política impõe, a capital do Brasil surpreende e merece a visita. É lar das decisões que influenciam a vida das pessoas e guardiã de um conjunto arquitetônico e cultural representantes de uma etapa da história do Brasil.
Fonte: ANBA
https://anba.com.br/brasilia-arte-e-historia-alem-da-politica/




