Encontro em Brasília destaca inovação, sustentabilidade e novos modelos de desenvolvimento como pilares para enfrentar mudanças climáticas e promover competitividade econômica
Em um momento em que governos e empresas buscam respostas concretas para os desafios climáticos e econômicos globais, Brasil e Finlândia deram mais um passo no fortalecimento de uma agenda estratégica voltada à sustentabilidade e à inovação. Realizado em Brasília, nesta quarta (13), o encontro “Finlândia Circular” reuniu representantes do setor público, lideranças empresariais e especialistas para debater o papel da economia circular na construção de um futuro mais resiliente e competitivo.
Promovido pelo Ministério das Relações Exteriores da Finlândia, em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia Circular (Ibec) e a Escola Nacional de Administração Pública (Enap), o evento contou ainda com apoio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A iniciativa integra uma agenda internacional da Finlândia voltada à ampliação de cooperações estratégicas e ao desenvolvimento de novos mercados sustentáveis.
Considerada referência global no tema, a Finlândia foi o primeiro país do mundo a implementar um programa nacional de economia circular, estabelecendo a meta de neutralidade de carbono até 2035. Durante o encontro, especialistas finlandeses apresentaram experiências e soluções inovadoras desenvolvidas por empresas do país, demonstrando como modelos circulares podem impulsionar crescimento econômico ao mesmo tempo em que reduzem impactos ambientais.
O embaixador da Finlândia no Brasil, Antti Kaski, ressaltou que a economia circular ultrapassa a dimensão ambiental e se consolida como estratégia central de desenvolvimento econômico e social. “A economia circular não é apenas uma agenda ambiental. É uma estratégia de desenvolvimento capaz de reduzir a pressão sobre recursos naturais, gerar inovação, fortalecer a competitividade e criar empregos”, afirmou.
Segundo o diplomata, o avanço da economia circular em larga escala exige visão de longo prazo, coordenação entre governos e setor privado e políticas públicas capazes de transformar diretrizes em ações concretas. Para ele, a cooperação entre Brasil e Finlândia abre caminho para novas oportunidades de negócios, inovação e soluções sustentáveis de impacto bilateral.
O encontro também integrou um roadshow nacional liderado pelo Ibec e pelo Hub de Economia Circular Brasil, iniciativa que percorrerá as cinco regiões brasileiras ao longo do ano com o objetivo de ampliar o debate sobre desenvolvimento sustentável e mobilizar diferentes setores da sociedade.A presidente do Ibec, Beatriz Luz, destacou o protagonismo finlandês como inspiração para o avanço brasileiro nessa agenda. “A Finlândia foi o primeiro país a ter um roadmap de economia circular e nos mostrar que esse caminho precisa ser desenhado de forma conjunta e permanente entre diversos setores. O Brasil está firme nessa jornada”, declarou.
Os painéis abordaram temas como governança, cidades resilientes, estímulo a negócios circulares, educação e desenvolvimento de competências voltadas à nova economia. Representando o MDIC, o secretário-adjunto Lucas Ramalho enfatizou que a economia circular será decisiva para complementar a transição energética no combate às mudanças climáticas.
“Mesmo após a transição energética, continuaremos enfrentando os desafios das emissões de gases de efeito estufa. A economia circular será essencial para transformar padrões produtivos e de consumo”, afirmou. Além de consolidar o diálogo bilateral entre Brasil e Finlândia, o evento reforçou o posicionamento brasileiro nas discussões internacionais sobre sustentabilidade. O “Finlândia Circular Brasília” também foi reconhecido como evento paralelo do Fórum Mundial de Economia Circular, que terá sua próxima edição sediada na Índia.
A programação incluiu ainda sessões de networking e workshops interativos nos quais os participantes utilizaram ferramentas finlandesas para desenvolver modelos de negócios circulares aplicáveis à realidade brasileira.
Para a diretora de Educação Executiva da Enap, Iara Cristina Alves, a transição para uma economia circular depende diretamente da capacidade de articulação entre governos, empresas, universidades e sociedade civil. “É um debate sobre a construção de capacidades institucionais, econômicas e sociais para enfrentar a crise climática, promover inovação e sustentar um novo modelo de desenvolvimento”, concluiu.
Em meio às crescentes pressões ambientais e econômicas globais, Brasil e Finlândia sinalizam que a cooperação internacional e a inovação sustentável deverão ocupar posição central nas estratégias de desenvolvimento das próximas décadas.






