Osvaldo Condé Representante Brasileiro Escritor, membro da Ordem Haqani Naqshbandi e da Sociedade Teosófica no Brasil
Como representante brasileiro em Astana no VIII Congresso dos Líderes das Religiões Tradicionais do Mundo, gostaria de compartilhar esta experiência extraordinária. O fato de o Cazaquistão ter concebido e sediado este encontro em tempos tão turbulentos não é apenas altamente simbólico, mas também extremamente relevante.
É profundamente reconfortante ver líderes de religiões tão diversas convivendo em fraternidade e, ao mesmo tempo, condenando unanimemente a violência praticada em nome da religião. Os temas debatidos, que abrangeram desde o uso ético e humanitário da Inteligência Artificial até a sustentabilidade, a preservação de sítios arqueológicos e religiosos e o respeito à diversidade espiritual e filosófica, foram extremamente esclarecedores.
O governo cazaque é o principal impulsionador da ideia de Diplomacia Espiritual e, por isso, merece nosso pleno reconhecimento. Essa iniciativa é comparável (em certo sentido) ao famoso Parlamento das Religiões de Chicago de 1893. Contudo, supera-o em dimensão e importância, pois naquela época não havia uma ameaça à espécie humana como um todo.
Hoje, a urgência e a relevância do Congresso de Astana crescem visivelmente, à medida que aumenta a ameaça à existência global, seja por guerras nucleares, extremos climáticos ou divergências “pseudo-fundamentalistas”. O respeito às diferenças de pensamento é fundamental. Tivemos a oportunidade de nos pronunciar no Congresso, onde expressamos nossas reflexões sobre sustentabilidade e religião.
Qual é a conexão entre a filosofia religiosa e a ecologia? A religião trata do sentido da vida no planeta Terra, do aprimoramento da humanidade e da busca pelo sagrado. A ecologia é o que torna possível a vida no planeta. Sem a preservação ambiental, não haverá um planeta sustentável; sem um planeta habitável, não haverá expressão religiosa. Nosso discurso seguiu exatamente essa linha: os líderes religiosos precisam e devem incentivar seus fiéis a praticar e manter a sustentabilidade, combater a poluição e preservar o meio ambiente.
Sabemos que alguns líderes já pregam a preservação, mas essas ações precisam se tornar uma prática habitual e constante em todas as escolas religiosas e em todos os sermões. Yeshivás, mesquitas, templos hindus, budistas e sikhs, igrejas cristãs e/ou católicas devem e precisam discutir o tema da sustentabilidade. Caso contrário, não haverá futuro para a humanidade. Defender a sustentabilidade é defender o futuro da religião — mas de qual religião? De todas elas!





