


O representante do governo panamenho é também empresário, graduado em Ciências Agropecuárias e em Agronegócios, além de deputado suplente da Assembleia Nacional. Em 2014, Emilio foi nomeado embaixador no Brasil. “vim para transmitir ao empresariado, aos investidores e ao povo brasileiro em geral a mensagem de que o Panamá é muito mais do que “o pais do chapéu Panamá”, como escutei falar em muitos lugares que visitei. É uma nação estratégica para a economia do mundo tanto por sua localização geográfica, quanto pela acessibilidade que o nosso governo propõe ao estrangeiro que quer investir, visitar ou morar no país. Somos uma das economias mais estáveis da América Central”, disse o diplomata. Veja a seguir a entrevista com Emilio Cárdenas.
Embassy Brasília- Em 28 de novembro de 1821, o Panamá ficou independente da Espanha Anos depois, também da Colômbia. Como são os festejos no país? O que se tem de mais importante a comemorar nessa data?
Emilio Vergara Cárdenas – A importância dessa data é relembrar que após três séculos de conquistas da Espanha, em 1821, o istmo do Panamá foi declarado independente da Coroa Espanhola e voluntariamente se uniu a Gran Colômbia. Mas em 03 de novembro de 1903, o Panamá se separou da Colômbia e se converteu em um país livre e soberano. O ato cívico de independência é comemorado com orgulho em todo o país nos organismos públicos, instituições privadas e escolas. Estudantes de todas as escolas desfilam em atos cívicos e os civis festejam ao som de bandas, músicas tradicionais com grupos folclóricos e de danças, na cidade do Panamá e em todo o país.
Embassy Brasília – O Panamá é uma das economias mais competitivas da América Latina. A que se deve essa posição?
Economia estável, baixa inflação, segurança, política fiscal atrativa tanto para o nacional quanto para os investidores estrangeiros, agilidade nas transações comerciais, um hub de bancos, localização geográfica e a moeda comercial que é o dólar, apesar da moeda do Panamá ser o Balboa.

O Panamá é um país que acredita que a preservação do meio ambiente mais que um dever é também obrigação com as gerações atuais e futuras. Nos últimos 10 anos o Governo vem investindo em ações efetivas de proteção da biodiversidade, implementados projetos que permitem as comunidades trabalhar em áreas chaves oferecendo oportunidades para gerar renda nas áreas rurais e combinando medidas de desenvolvimento sustentável para proteger e manter importantes ecossistemas.
O Ministério do Meio Ambiente conjuntamente com organismos internacionais ONU, ONUREDD, PNUD e outros tem uma agenda de programas que permite ações de pequeno, médio e grande porte com a finalidade de envolver as comunidades, os povos indígenas e o público em geral de forma a combinar projetos e ações efetivas para a conservação, utilização, sustentabilidade y conscientização da necessidade de se preservar a natureza.
Em outubro de 2017 foi assinado um acordo de troca de dívidas pela preservação da Natureza. Esses fundos são parte do Fideicomisso Ecológico de Panamá (FIDECO) e serão administrados pela Fundação Natura, nessa etapa, os fundos arrecadados serão revertidos na preservação do Parque Charges que abastece água para a sustentação do Canal e do Parque Darien é que considerado o pulmão natural do país. Os fundos recolhidos pelo FIDECO têm como objetivo gerar rendimentos para apoiar projetos de proteção ao meio ambiente.
O Panamá deu também um grande salto na proteção das áreas marinhas. No ano de 2015 a meta passou de 3.7% para 13.5%, quando a meta mínima de proteção para áreas marinhas é de 10% segundo o Convênio de Diversidade Biológica. A proteção dessas áreas ajuda a conservar as espécies, muitas em fase de extinção além dos ecossistemas.
Embassy Brasília – Em março, teremos no Brasil o 8º Fórum Mundial das Águas, no Centro de Convenções. Brasília está passando por um desabastecimento e está tentando resolver o problema da falta de água. O que o senhor tem a dizer sobre a questão da água no seu país e no mundo, como também sobre a importância do Fórum?


Como a gestão do Canal do Panamá esteve nas mãos dos americanos durante 85 anos, podemos dizer que os Estados Unidos foram os maiores beneficiados do Canal do Panamá. Em 1999, o Canal foi entregue a nós panamenhos, daí para frente os que mais se beneficiam é o comercio internacional e a economia nacional.

Anualmente são proximamente 15 mil embarcações que atravessam o Canal do Panamá. Por ser um grande atrativo turístico devido sua fantástica engenharia. No Centro de visitantes Miraflores, a visitação este ano alcançou 963 mil pessoas. O Local oferece uma sala de cinema em 3D, quatro salas com informações de história, biodiversidade, o funcionamento do Canal e sua importância a nível internacional, galerias de observações, restaurante e lojas de suvenires. O tour leva aproximadamente 2 horas.
Embassy Brasília – O governo panamenho oferece desconto de impostos e preços à visitantes e aposentados estrangeiros. O Panamá é um bom lugar para se aposentar? De quais nacionalidades são a maioria dos aposentados estrangeiros que estão no país.
O Panamá é um ótimo país para os aposentados e o que atrai muitos deles porque temos um clima agradável, estabilidade econômica, política e social, além de um povo agradável que saber receber bem o estrangeiro. Uma pessoa aposentada poder viver muito bem com US$ 1.000,00, por mês, pois o custo de vida é barato. O aposentado tem direito a um desconto de 25% nos hotéis, restaurantes, ônibus, cinema, e nas passagens aéreas, além da exoneração de alguns impostos. A maior quantidade de aposentados que vivem no Panamá são pessoas oriundas dos Estados Unidos e da Europa, mas também têm colombianos e de outros países. A maioria desses estrangeiros aposentados está vivendo na região de Chiriqui que tem um clima muito agradável.
Embassy Brasília – San Blas, esse arquipélago panamenho, tem realmente 360 ilhas? Em quantas se chega? Como está o turismo lá, na capital e em outros recantos do Panamá?

A atividade de turismo no Panamá é uma das principais fontes de desenvolvimento e crescimento econômico, contribuindo para a geração de emprego e o aumento do Produto Interno Bruto (PIB). A evolução do turismo no Panamá cresceu significativamente nos últimos 10 anos refletindo uma taxa de crescimento média de 10% e uma participação no Turismo no Produto interno bruto de 11,5% em relação ao ano de 2015. Para o ano de 2017 a expectativa é que a entrada de turista ao país tenha um incremento de 4%, graças à reativação de campanha publicitária e à participação da Autoridade de Turismo do Panamá nas feiras internacionais mais importantes que temos e a remodelação do Aeroporto Internacional de Tocumen, que as obras já estão adiantadas em 70%.O número total de visitantes admitidos no Panamá durante o ano de 2016 foi de 2.435.641 visitantes.Durante o mês de setembro de 2017 foi lançado a semana do Black Weekend, que atraiu um grande número de pessoas para o turismo de compras.

Embassy Brasília – O que o governo panamenho tem feito por seus indígenas?
O atual Governo do Panamá está implementando ações efetivas para corrigir um erro das políticas anteriores que sempre viram os povos indígenas como minoria e por isso levando-os a um estado de pobreza pela má distribuição das rendas e exclusão social. As novas políticas, as mudanças econômicas e social que se deram no pais, colocou os povos indígenas na mira governo que elaborou um plano de Desenvolvimento Integral dos Povos Indígenas da República do Panamá, com a finalidade de proporcionar um desenvolvimento cumprindo com os standards internacional sobre os direitos humanos dos povos indígenas, o que levará aprovação de lei que atenda às necessidades dos povos indígenas.
Embassy Brasília – Fale-nos sobre Educação e Saúde em seu país? Quais são as áreas que mais se desenvolveram?
R- O acesso à saúde como em toda a América Latina tem deficiências que precisam ser corrigidas, no entanto, existe um grande empenho e esforço por parte do governo por mudar esse cenário. Atualmente temos um sistema de saúde do governo obrigatório e gratuito que atende os trabalhadores incluindo os familiares, no qual tem o inconveniente pela quantidade de clientes que atende. No entanto, o governo vem realizando múltiplos esforços no sentido de melhorar o sistema. A saúde privada é muito boa, pois o nível acadêmico dos profissionais da saúde é de alto padrão e temos excelente atenção médica. O problema que esse sistema enfrenta é a quantidade de pessoas que atende, no entanto são múltiplos os esforços que o governo vem fazendo no sentido de melhor o sistema.
A educação no Panamá está passando por momentos de reformas para alcançar um patamar que se ajuste melhor as necessidades do povo panamenho. Mas o acesso à educação é um direito garantido pela Constituição, por isso mesmo é gratuito. As universidades sim têm um custo, é uma taxa semestral simbólica, o que não afeta a qualidade do ensino, pelo contrário, o ensino superior é de alto padrão.
Embassy Brasília – O dia das mães no Panamá é 8 de dezembro? Por que não em Maio como na maioria dos países?
Em 11 de maio de 1924, por meio de Decreto aprovado pelo Presidente Belisario Porras, foi celebrado por primeira vez no Panamá o Dia das Mães e a data foi estabelecida como dia festivo Nacional. Mas em 1930 a Primeira Dama da República Hercilia de Arosemena, apoiada por outras damas, propôs a mudança da data para o dia 08 de dezembro, o mesmo dia em que se comemora o festival da Imaculada Concepção de Maria.
Embassy Brasília – Como estão as relações bilaterais do Panamá com o Brasil?
Os Governos do Brasil e do Panamá tem excelentes relações e atualmente está na mesa de discussão possíveis acordos bilaterais. Posso citar alguns dos Acordos e Tratados já existentes entre os dois países como o Acordo sobre Cooperação no Domínio da Luta Contra o Crime Organizado, o Tratado sobre Assistência Jurídica Mutua em Matéria Penal e o Acordo para a Supressão de Vistos em Passaportes Diplomáticos, Consulares, Oficiais, Especiais ou Equivalentes. Temos ainda o Acordo de Remoção de Vistos em Passaportes Ordinários, o Acordo de Cooperação na Área de Turismo e ainda o Acordo Cultural sobre Intercâmbio literário, científico e artístico.
Embassy Brasília – Qual a impressão do senhor em relação ao Brasil, à Brasília e do povo brasileiro?
A minha impressão sobre o Brasil é muito positiva, pois sempre fui bem recebido em todos os eventos que participei representando o meu país. A arquitetura e organização que vemos em Brasília chama muito a atenção por ser algo diferente do que normalmente se encontra em outros países, o que é muito agradável de se ver. Gosto muito de Brasília é uma cidade agradável também de se viver. A minha leitura sobre o Brasil é que esse país é uma potência que aos poucos está sendo despertada e que em breve será o celeiro do mundo. Admiro e gosto muito da energia que o povo brasileiro passa ao estrangeiro, um povo alegre, bem-humorado e sabe conviver bem com as diferenças. No Brasil eu me sinto como se estivesse em casa.
Embassy Brasília – O que há de comum e de diferente entre o Brasil e o Panamá?
Comum entre os dois países é o clima, pois temos todas as estações bem definidas como no Brasil. Também a alegria do povo, pois o cidadão panamenho tem uma natureza espontânea e alegria parecida a do brasileiro. Quando se fala de Brasil e Panamá estamos mencionando dois países que tem muito a oferecer embora não exista ponto de comparação por questão de realidade geográfica. Brasil é um pais continental, enquanto o Panamá ocupa um território que pode ser comparado a um pequeno Estado do Brasil. Mas em termos comerciais, aí sim podemos dizer que o Brasil produz o que o mundo quer comprar e o Panamá é a rota mais vantajosa para a comercialização desses produtos.
Embassy Brasília – Na culinária, o que o senhor tem algum prato brasileiro de preferência?
A culinária brasileira é muito saborosa, por isso, considero difícil especificar um prato, pois gosto de tudo o que já provei até hoje.

Os pratos típicos do Panamá são arroz com frango, algo muito parecido a galinhada brasileira e o Sancocho de galinha.







