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Ucrânia. Diplomacia tenta afastar receio de nova guerra na Europa

por Liz Elaine
21 de janeiro de 2022
em Mundo, Slide Home
Tempo de Leitura: 4 mins
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Sem resultados visíveis, além do anúncio de que os Estados Unidos vão responder por escrito às exigências da Rússia, o encontro entre o russo Sergei Lavrov e o norte-americano Antony Blinken faz parte de uma intensa atividade diplomática para tentar resolver a crise.

A Rússia concentrou cerca de 10.000 soldados na sua fronteira com a Ucrânia nos últimos meses, o que levou os Estados Unidos e os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) a acusar Moscovo de pretender invadir novamente o país vizinho.

Os dois países estão em conflito desde que a Rússia invadiu e anexou a península ucraniana da Crimeia, em 2014, na sequência dos protestos populares que levaram ao derrube do então Presidente pró-Moscovo, Viktor Yanukovych.

Desde então, a Rússia tem alegadamente patrocinado uma guerrilha na região industrial de Donbass, no leste da Ucrânia, que já provocou mais de 13.000 mortos e 1,5 milhões de deslocados, segundo dados da ONU.

Principais acontecimentos relacionados com a crise na fronteira da Ucrânia, segundo uma compilação da agência de notícias France-Presse (AFP):

Movimentos de tropas

Em 10 de novembro de 2021, os Estados Unidos pediram à Rússia que explicasse os movimentos invulgares de tropas na fronteira ucraniana. Em abril, Moscovo já tinha reunido dezenas de milhares de soldados na fronteira, suscitando os receios iniciais de uma invasão.

O Presidente russo, Vladimir Putin, acusou o Ocidente de exacerbar tensões “entregando armas modernas a Kiev e conduzindo exercícios militares provocatórios” no Mar Negro e perto da fronteira.

Medo de uma ofensiva

Em 28 de novembro, a Ucrânia alegou que a Rússia tinha concentrado mais de 90.000 soldados nas suas fronteiras, para uma ofensiva no final de janeiro ou início de fevereiro deste ano.

As autoridades russas negaram essa intenção, e acusaram a Ucrânia de reunir tropas no leste do país.

Cimeira Biden-Putin

Em 07 de dezembro de 2021, o Presidente norte-americano, Joe Biden, ameaçou o seu homólogo russo, Vladimir Putin, com “fortes sanções económicas” no caso de uma invasão da Ucrânia, durante uma cimeira virtual.

Putin exigiu “garantias legais seguras” que impeçam a Ucrânia de aderir à NATO.

No dia 17 do mesmo mês, Moscovo divulgou dois projetos de tratados que proíbem qualquer expansão da NATO e o estabelecimento de bases militares norte-americanas em países da ex-União Soviética.

Washington disse estar pronto a “encetar um diálogo diplomático” com Putin, mas considerou algumas das suas exigências inaceitáveis.

Em 28 de dezembro, Moscovo e Washington concordaram em realizar conversações sobre segurança na Europa.

Semana diplomática

Em 10 de janeiro de 2022, russos e norte-americanos realizaram negociações tensas na cidade suíça de Genebra, o primeiro passo de uma sequência diplomática na mesma semana.

Antes dos encontros diplomáticos, o chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell, acusou Moscovo de estar a tentar quebrar a unidades entre os Estados Unidos e a UE ao excluir o bloco europeu das negociações diretas sobre a segurança na Europa.

No dia 12, a Aliança Atlântica e Moscovo registaram as suas profundas divergências sobre segurança na Europa num Conselho NATO-Rússia em Bruxelas, a que se seguiu, no dia 13, um encontro da Rússia com a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), em Viena.

Ao assumir a presidência rotativa da OSCE, no mesmo dia, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia, Zbigniew Rau, alertou que a Europa enfrenta o maior risco de guerra dos últimos 30 anos.

Ataque cibernético de larga escala na Ucrânia

No dia 14, vários ‘sites’ do Governo da Ucrânia foram alvo de um ataque cibernético de grande escala, que as autoridades ucranianas atribuíram a ‘hackers’ (piratas informáticos) ligados aos serviços secretos russos.

No mesmo dia, Washington acusou Moscovo de ter enviado agentes à Ucrânia para realizar “operações de sabotagem” que servissem de pretexto para uma invasão. A Rússia respondeu que as denúncias eram gratuitas e sem fundamento.

Tropas russas na Bielorrússia

No dia 18, a Rússia começou a enviar soldados para a Bielorrússia para exercícios improvisados de prontidão de combate nas fronteiras da UE e da Ucrânia.

Os Estados Unidos manifestaram-se preocupados com a possível instalação de armas nucleares russas na Bielorrússia e disseram acreditar que a Rússia poderá atacar a Ucrânia a “qualquer momento”.

Apoio à Ucrânia

No dia 19, Antony Blinken apelou a Vladimir Putin para escolher o “caminho pacífico” durante uma visita de apoio à Ucrânia, o início de uma digressão europeia.

Washington libertou mais 200 milhões de dólares (mais de 176 milhões de euros) em ajuda de segurança para a Ucrânia.

No mesmo dia, Joe Biden mencionou a possibilidade de uma “pequena incursão” da Rússia na Ucrânia. Num esclarecimento posterior, a Casa Branca prometeu uma “resposta rápida, dura e unida” se as forças militares russas atravessarem a fronteira para a Ucrânia.

No dia seguinte, 20, os Estados Unidos aprovaram os pedidos dos países bálticos para o envio de armas norte-americanas para a Ucrânia.

Reunião Lavrov-Blinken

Hoje, 21 de janeiro, Sergei Lavrov e Antony Blinken encontraram-se em Genebra, enquanto Kiev acusava Moscovo de aumentar o apoio militar aos separatistas em Donbass (leste ucraniano) e a Rússia exigia a retirada das tropas estrangeiras da NATO da Roménia e da Bulgária.

No final da reunião, Blinken pediu à Rússia provas de que Moscovo não tenciona invadir o seu vizinho e retire os 100.000 soldados que mantém na fronteira com a Ucrânia.

Disse também que os Estados Unidos responderão “à agressão russa, incluindo a uma agressão não militar”.

Lavrov anunciou que as duas partes concordaram que os Estados Unidos apresentarão uma resposta por escrito às exigências russas na próxima semana, antes de um novo contacto entre os chefes da diplomacia dos dois países.

Tags: Antony BlinkenrussiaSergei LavrovUcrânia
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