Embaixador conversa sobre o país que comemora hoje(23) 48 anos da Proclamação da República
Súsan Faria

Segundo Talbot, na Guiana, muitos escravos fugiam das plantações de cana-de-açúcar para as selvas, onde viviam com os indígenas. Hoje, é uma nação de descendentes de trabalhadores africanos, indianos, chineses e javaneses, que eram atraídos pelos ingleses como mão-de-obra barata. Confira a entrevista do embaixador:
Fale-nos um pouco da história da Guiana?

O senhor poderia falar como está o seu país?

Quais os principais desafios no país?

Com o Brasil, quais são os interesses maiores da Guiana, especialmente no comércio?
Estamos agora com 50 anos de relações bilaterais, que começaram em 1968. É o vizinho com maior área, fronteira e população. Nossa fronteira é de 1.600 km com o Brasil. E com relações sempre caracterizadas pela amizade, fraternidade, respeito mútuo. Por isso, o vemos como parceiro muito importante. Não temos problemas fronteiriços com o Brasil como com outros vizinhos. No plano econômico há muito a fazer para desenvolver as relações. Estamos trabalhando com várias possibilidades, entre elas, a integração da infraestrutura, um projeto importante passando pelo Norte, principalmente nos estados de Roraima e Amazonas. A saída pelo Atlântico fica fácil, potencialmente. Com a Venezuela essa fronteira é mais larga e mais longe. Queremos um corredor de investimento que ligue os estados do Norte do Brasil com a Guiana e outros países, por estradas, inicialmente. Pode ser depois por ferrovias. Há muita atividade econômica no interior, como a mineração de ouro. É necessário infraestrutura para articular as diversas regiões e as atividades econômicas.
Hoje, como está o comércio entre o Brasil e a Guiana?
Esse comércio está crescendo moderadamente e é bem pequeno tendo em vista as possibilidades. Exportamos por exemplo arroz, farinha e outros de menor importância para o Norte. Do Brasil importamos maquinários e vários produtos, especialmente os de uso capital.
É intenção da Guiana exportar petróleo para o Brasil?
Não está contemplado agora, porque o Brasil também é produtor de petróleo. Vamos definir ainda os mercados do petróleo da Guiana.
A crise na Venezuela está repercutindo na Guiana?
Não temos ondas grandes de entradas dos venezuelanos na Guiana. Em comparação com o Brasil e a Colômbia, os números são menores.
Há disputa territorial da Venezuela com a Guiana. Como está a questão?
No ano de 1899, se acertou a fronteira entre os dois países por meio de um laudo arbitral, feito por uma comissão de representantes da Inglaterra, Reino Unido e Venezuela. Dezessete anos depois da arbitragem, a Venezuela reclamou quase dois terços das terras da Guiana. É um tema que está nas mãos das Nações Unidas, da Corte Internacional.
A Guiana é um lugar turístico?

Na capital há lugares históricos, como uma igreja feita de madeira que figura entre as mais altas do mundo. Temos arquitetura vitoriana em parte de Georgetown. O turismo está ganhando mais atenção no país porque o governo está prestando mais atenção na área. Chama-se Guiana como a Sul-América não descoberta.
Como é o caminho mais fácil ir para a Guiana?
Não é muito fácil, até mesmo para ir aos países vizinhos leva-se muito tempo. No caso do Brasil, pode-se ir via Panamá direto a Georgetown ou pelo Norte – saindo de Brasília a Boa Vista – Roraima, leva-se 3h30 de voo, e depois se pega um voo doméstico, 1h a mais. Mesmo na fronteira com o Brasil há lugares turísticos, onde se se pode aproveitar. Temos muitas savanas, cachoeiras, montanhas, uma topografia bem diversificada no país. A Costa é abaixo do nível do mar e onde estão 90% da população. É um país tropical, com clima quente, entre 25 graus a 32 graus centígrados.
Quanto tempo o senhor está em Brasília?
Faz 18 meses. Cheguei ao final de julho de 2016. Gosto de tudo em Brasília. Gosto dos relevos no Brasil, pois na Guiana não tem elevação, é abaixo do nível do mar. Gosto da diversidade na música brasileira. Já conheci sete Estados no Brasil, além do Distrito Federal.
Como se sente na Capital?
Para mim é uma boa experiência. O povo é acolhedor. A cidade é bem tranquila, com qualidade de vida boa, comida mais natural e pura do que em Nova Iorque. Fiquei lá quatro anos e meio como embaixador das Nações Unidas.
Como é a culinária da Guiana?








