Do Sauvignon Blanc pioneiro ao espumante Chenin Blanc, a vinícola comemora sua plena expansão
Por Rachel Alves M Nariyoshi
A vitivinicultura brasileira vive um momento singular de expansão e afirmação de identidade, especialmente quando observamos o avanço das regiões não tradicionais. Entre elas, o chamado Cerrado de Altitude, vem se consolidando como um novo polo de excelência. Nesse cenário, surge um marco importante: o primeiro espumante elaborado 100% com a uva Chenin Blanc em Brasília.
Essa conquista não surge de forma isolada, mas como resultado de uma trajetória construída com consistência. A família Marchese já havia demonstrado o potencial do Cerrado com a produção de vinhos de Sauvignon Blanc, evidenciando a adaptação da videira e abrindo caminho para novos avanços. Seu lançamento foi no dia 21 de abril de 2023, aniversário de 63 anos de Brasília, no Memorial JK, um dos pontos turísticos mais emblemáticos da cidade, carregado de simbolismo histórico e cultural.
A escolha da data e do local não poderia ser mais significativa: ao unir a celebração da cidade com a apresentação de um vinho produzido no terroir do Cerrado, reafirma-se o protagonismo da região na nova vitivinicultura brasileira, um marco que consolida a identidade dos vinhos de inverno.
O Cerrado de Altitude, antes associado à agricultura extensiva, transformou-se, nas últimas décadas, em um terroir promissor. Com o uso da dupla poda, tornou-se possível adaptar o ciclo da videira às condições tropicais, deslocando a vindima para os meses secos que apresenta grande amplitude térmica e muito sol, fatores que favorecem a concentração aromática e o equilíbrio ácido.
Nesse contexto, nasce o primeiro espumante 100% Chenin Blanc do Cerrado de Altitude, um verdadeiro divisor de águas. Elaborado pelo método tradicional (com segunda fermentação na garrafa), revela complexidade destacando alta acidez natural e notas cítricas. Seu lançamento aconteceu no restaurante Oscar, no Hotel Brasília Palace, outro local histórico da arquitetura de Brasília e foi marcado por forte carga simbólica: Renata Marchese destacou que a escolha do dia 20 de abril teve um significado especial, pois, como brasiliense apaixonada por sua cidade, quis presentear Brasília nos seus 66 anos, reafirmando sua constante intenção de celebrar a capital por meio do vinho.
Antes mesmo de seu lançamento, o rótulo já havia sido reconhecido com medalha de ouro na Grande Prova Vinhos do Brasil 2026, reforçando sua relevância desde a origem.
Em momento de grande emoção, o patriarca, senhor Elias Marchese, ofereceu o primeiro vinho espumante 100% Chenin Blanc aos pioneiros desta terra, em um gesto de reconhecimento àqueles que ajudaram a construir a história do Cerrado.
A sensibilidade também se expressa no rótulo, que traz um ipê florido. Segundo Renata, a inspiração vem do ipê-branco, árvore símbolo da capital, conhecida por florescer no auge da seca. No vinhedo da família, vários ipês foram plantados em homenagem ao senhor Elias Marchese e, de forma simbólica, o primeiro a florescer foi justamente o ipê-branco, coincidindo com a vindima da Chenin Blanc.
Durante o lançamento, Fabrício Marchese sintetizou, com emoção, o significado desse momento ao afirmar que vê o espumante 100% Chenin Blanc como um filho, resultado de todas as etapas conduzidas por suas próprias mãos, do preparo do solo e plantação das mudas ao acompanhamento rigoroso da maturação, chegando a degustar cerca de 200 bagas diariamente, antes da vindima, para garantir o ponto ideal de amadurecimento da uva.
Mais do que um novo rótulo, esse vinho espumante simboliza uma mudança de paradigma. O Brasil, tradicionalmente reconhecido pelos espumantes da Serra Gaúcha, passa a demonstrar que também pode produzir exemplares de alta qualidade no Cerrado, que passa a se afirmar como realidade no mapa vitivinícola nacional.
O primeiro espumante 100% Chenin Blanc do Cerrado de Altitude não é apenas uma novidade, mas um marco que representa a convergência entre ciência, terroir e ousadia, elementos que desenham o futuro do vinho no Cerrado.
@rachelalves.professoradevinhos




