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Irã cobra ação dos EUA sobre acordo nuclear

por Liz Elaine
18 de fevereiro de 2021
em Mundo
Tempo de Leitura: 5 mins
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Rodrigo Craveiro

O discurso virtual do aiatolá Ali Khamenei, guia supremo do Irã, teve a importância amplificada por ter ocorrido a poucas horas da retomada das negociações sobre o Plano de Ação Conjunta Global (JCPOA), o acordo nuclear assinado por Teerã, China, França, Alemanha, Rússia, Reino Unido, Estados Unidos e União Europeia. “Hoje, só quero dizer uma coisa: temos escutado muitas palavras bonitas e promessas, que, na prática, não apenas foram violadas, mas o oposto foi feito. (…) As palavras são inúteis. Desta vez, será apenas sobre ações. Assim que virmos a ação do outro lado, também agiremos. Ao contrário de antes, desta vez, a República Islâmica não será convencida apenas por palavras ou promessas”, declarou Khamenei. O recado teve destinatário certo: o presidente norte-americano, Joe Biden, empossado em 20 de janeiro. Foi uma resposta ao anúncio da Casa Branca sobre o desejo de readerir ao JCPOA.

Hoje, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, receberá seus colegas Heiko Maas (Alemanha) e Dominic Raab (Reino Unido), em Paris, para uma conversa por videoconferência com Antony Blinken, secretário de Estado norte-americano. Por meio de comunicado, o Ministério das Relações Exteriores francês explicou que a reunião “será dedicada principalmente ao Irã e à segurança regional no Oriente Médio”. O encontro também é visto como uma oportunidade para tentar salvar o JCPOA, depois que o então presidente Donald Trump abandonou o acordo de modo unilateral. Será a primeira vez que a gestão Biden abordará o tema do enriquecimento de urânio e do programa nuclear iraniano.

Biden admite a readesão ao JCPOA e a imediata suspensão das sanções econômicas a Teerã, com a condição de que os iranianos voltem a cumprir o acordo em sua totalidade. Os dois lados trocam acusações mútuas de violações dos compromissos firmados pelo pacto. A retomada das negociações ocorre sob intensa pressão. O Irã está determinado a restringir as inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) a partir de domingo, caso os EUA não suspendam as sanções impostas há três anos. No próximo sábado, o diplomata argentino Rafael Grossi, diretor-geral da AIEA,visitará Teerã para “conversas técnicas”.

O presidente do Irã, Hassan Rohani, desmentiu a expulsão de inspetores da AIEA e culpou a “propaganda estrangeira”. “Por que estão mentindo?”, indagou, ao garantir que o seu país está determinado a dialogar com Grossi. Rohani recebeu um telefonema incomum, ontem, da chanceler alemã, Angela Merkel. Ela externou “preocupação com o contínuo fracasso do Irã em cumprir suas obrigações no acordo nuclear”, segundo nota da chancelaria de Berlim.

Sanções – Hossein Gharibi, embaixador do Irã no Brasil (leia Entrevista), defendeu que “a situação brutal e desumana para pressionar o povo iraniano tem de terminar imediatamente — uma alusão às sanções impostas ao país. “Os Estados Unidos e os europeus não podem ter nada mais importante do que isso em sua agenda para a reunião desta quinta-feira (hoje)”, afirmou ao Correio. Ao ser questionado sobre o motivo pelo qual o mundo demonstra tanto incômodo com o programa nuclea iraniano, o diplomata disse que “o Irã quer ser independente”. Segundo Gharibi, Teerã provou que pode se sustentar por conta própria, sem precisar da ajuda de nenhuma outra potência.

“Entendemos que é o nosso povo que pode exercer sua autodeterminação e garantir a paz e a segurança ao país e à região. Não é a primeira vez que o Irã é alvo por exercitar seu direito de decidir sobre o próprio destino: sete décadas atrás, o Parlamento, sob a chefia de Mohammed Mossadegh, premiê eleito democraticamente, nacionalizou nossa indústria do petróleo. Em retaliação à manobra de Mossadegh, os EUA e o Reino Unido classificaram-na de contrária à paz e à segurança e impuseram duras sanções econômicas ao petróleo iraniano”, lembrou.

O embaixador explicou que, a exemplo de outras nações, o Irã pretende exercer os direitos de ter uma indústria nuclear pacífica. “Estamos totalmente comprometidos com as exigências do Tratado de não Proliferação (TNP), e o Irã tem sido objeto de inspeções pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Não podemos aceitar que os poderes intimidatórios, que permitem a outros de nossa região possuírem centenas de ogivas nucleares, ditarem seu desejo sobre nossa nação. A era da ordem colonial acabou há muito tempo, mas a mentalidade ainda existe”, acrescentou Gharibi.

» Entrevista / Hossein Gharibi, embaixador do Irã no Brasil

Que tipos de ações o Irã espera dos Estados Unidos e o que vocês esperam dar em troca a Washington?

O importante para nós é como a Casa Branca se comporta, não quais são as promessas ou as juras falsas, já que estamos exaustos disso. Nós testemunhamos como o governo de Donald Trump supreendentemente violou a decisão do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Se os Estados Unidos voltarem aos seus compromissos, a história será diferente. O Irã disse, por várias vezes, que retomaremos rapidamente os nosso compromissos totais. E isso não levará muito tempo. Os EUA têm que mostrar que estão comprometidos com este acordo — que não o violarão novamente, não farão exigências fora do JCPOA (pacto nucler) e, basicamente, vão parar de causar danos ao Irã. O primeiro passo é a suspensão, por parte dos EUA, de suas violações do direito internacional, com o levantamento das sanções unilaterais ilegais. Isso não requer muitas discussões e negociações. Como outros passos catastróficos dados pelo governo Trump, a chamada “Pressão Máxima” deve ser desfeita de maneira rápida.

Como o senhor vê o esforço diplomático dos EUA e de três países europeus para salvarem o acordo nuclear?

Toda conversa deveria estar alinhada com o direito internacional e os compromissos de todas as partes envolvidas. O JCPOA foi baseado em um “dar e receber”, resultado de anos de conversas entre os membros permanentes do Conselho de Segurança, a Alemanha e a União Europeia. O que se conseguiu foi fruto de negociações. Armas convencionais ou outras questões poderiam ser incluídas, mas todas as partes negociadores logo perceberam que a ampliação do escopo tornaria impossível obter qualquer resultado. Por isso, eles se concentraram no tema nuclear.

O que é necessário para um bom diálogo hoje?

Nós estamos prontos para nos engajar nas questões de segurança da região. O nosso plano para um acordo de segurança com Estados regionais está sobre a mesa. Nenhum outro tema deve ser usada como desculpa para violar seus compromissos. O acordo foi uma vitória para todas as partes. O Irã cumpriu seus compromissos, e 15 relatórios da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) provam que as outras partes não o fizeram. Os EUA abandonaram o acordo nuclear em maio de 2018 e reaplicaram sanções ao Irã, as quais impactaram severamente a economia iraniana e a nossa habilidade de vender petróleo e de cuidar da população durante a pandemia.

 

Tags: acordo núclearAli KhameneiEstados UnidosHassan RohaniHossein GharibiIrãJoe Biden
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Embaixador do Irã defende o fortalecimento das rel Embaixador do Irã defende o fortalecimento das relações com o Brasil -

O fluxo comercial entre Brasil e o Irã apresenta oscilações, com saldo comercial favorável, de maneira consistente, ao Brasil. Apesar de persistirem entraves, o Irã é expressivo mercado — um dos maiores do Oriente Médio — para as exportações brasileiras.

O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam Ghadiri, defendeu o fortalecimento das relações com o Brasil em reunião, nesta quarta-feira, 6, com o presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN), Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP). O deputado Claudio Cajado (PP-BA), também participou do encontro.

De acordo com Ghadiri, “temos um relacionamento de mais de 120 anos e que nunca foi afetado pelas mudanças de governos, no Brasil ou no Irã. São relações sólidas que se baseiam no interesse comum, principalmente no comércio”, afirmou...

🔗 Leia a matéria completa em embassynews.info 

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Brasília: arte e história além da política - Em Brasília: arte e história além da política -

Em meio às discussões e debates da República, a capital do Brasil guarda obras de arte e uma arquitetura que lhe conferiram o título de patrimônio mundial da Unesco.

A Praça dos Três Poderes, com o Palácio do Planalto, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional, ocupa o cotidiano dos brasileiros no noticiário e nas decisões que influenciam a vida da população. Mas são esses endereços também obra de arte e de arquitetura de uma cidade que respira história, cultura e oferece lazer mesmo em meio a tantas negociações políticas.

Construir uma capital no Centro-Oeste brasileiro foi uma insistência do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira (1956-1960), que encomendou o projeto ao arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012). Ele, porém, recomendou que o plano urbanístico fosse feito por outro profissional e se ocupou, ent�...

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Bahrein destina áreas para produção agrícola no Br Bahrein destina áreas para produção agrícola no Brasil -

Ministério dos Assuntos Municipais e Agricultura do Bahrein alocou 12 lotes para agricultores de Buri (SP) como parte de estratégia para aumentar segurança alimentar do país.

O Ministério dos Assuntos Municipais e Agricultura do Bahrein assinou acordos para destinação de 12 lotes agrícolas a agricultores em Buri, estado de São Paulo.  No total foram concedidos 82 mil metros quadrados, cerca de 8,2 hectares, como parte dos esforços para aumentar a segurança alimentar e apoiar agricultores no país, segundo notícia da agência estatal Bahrain News Agency (BNA).

A ação se insere em uma estratégia maior que tem como fim também expandir a capacidade agrícola sustentável, aumentar a produção local e melhorar a eficiência no setor no Bahrein. Recentemente o Ministério dos Assuntos Municipais e Agricultura alocou outros seis lotes, em um tot...

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#Agricultura #Bahrein #Buri #ministério #Produção
Brasileiros no exterior: Governo reduz pela metade Brasileiros no exterior: Governo reduz pela metade taxa de passaporte -

A medida foi divulgada nesta terça-feira (05), em comunicado do Itamaraty

A partir de 1º de junho de 2026, brasileiros que vivem no exterior terão acesso a passaportes com custo reduzido em 50 por cento. A medida, publicada pela Portaria MRE nº 664/2026, equipara as taxas consulares aos valores cobrados no Brasil.

O governo destacou que a iniciativa beneficia especialmente famílias binacionais e crianças nascidas fora do Brasil, facilitando a regularização de documentos essenciais ao exercício dos direitos dos cidadãos brasileiros no mundo.

A redução também pretende aproximar o preço da emissão no exterior aos valores cobrados em território nacional. Hoje, o custo da obtenção de um passaporte no Brasil varia de R$ 257,25 a R$ 514,50.

🔗 Leia a matéria completa em embassynews.info
Brasil e Reino Unido avançam na cooperação em mine Brasil e Reino Unido avançam na cooperação em minerais críticos -

Evento realizado na sede da ApexBrasil reuniu especialistas, diplomatas e representantes dos dois governos para debater parcerias estratégicas no setor. Representando a Embaixada do Reino Unido, participou a ministra conselheira Sarah Clegg

O Brasil tem ampliado sua atuação no debate global sobre minerais críticos, insumos essenciais para a transição energética e o desenvolvimento de novas tecnologias. Nesse contexto, o país avança na construção de uma política nacional para o setor e busca fortalecer parcerias internacionais.

Foi com esse objetivo que a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) sediou, no dia 29 de abril, a Mesa Redonda de Especialistas em Minerais Críticos Reino Unido–Brasil, encontro de alto nível que reuniu representantes de governos, setor produtivo, instituições finance...

🔗 Link Completo da Matéria:

https://embassynews.info/brasil-e-reino-unido-avancam-na-cooperacao-em-minerais-criticos/

#Apex #Brasil #Cooperação #críticos #exportações #LaudemirMuller #minerais #reinounido #SarahClegg
Bahia se posiciona como parceira estratégica da UE Bahia se posiciona como parceira estratégica da UE na indústria sustentável e transição energética -

Estado vem se consolidando como um parceiro estratégico da União Europeia no avanço da indústria sustentável, da transição energética e da inovação tecnológica, em um momento de fortalecimento das relações bilaterais após a entrada em vigor provisória do acordo entre o Mercosul e o bloco europeu, em 1º de maio.

Entre os dias 4 e 6 de maio, o estado recebeu uma delegação de adidos comerciais europeus no âmbito do programa “Conhecendo a Indústria”, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A iniciativa tem como objetivo apresentar o potencial produtivo e tecnológico brasileiro, além de ampliar a cooperação econômica e atrair investimentos estrangeiros.

Um dos principais pontos da agenda foi a visita ao SENAI Cimatec, em Salvador, considerado um dos mais avançados centros de inovação industrial...

🔗 Link Completo da Matéria:

https://embassynews.info/bahia-se-posiciona-como-parceira-estrategica-da-ue-na-industria-sustentavel-e-transicao-energetica/

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