Dança, música e estórias da América do Sul subiram ao palco do Sarau
| Oda Paula Fernandes



Com festejos folclóricos e de santos padroeiros, carnavais e rituais que celebram a liberdade, Deus e a natureza, procissões, a música e a dança têm um papel importante na sociedade peruana, desde a época pré-colombiana, que até hoje é marca da expressividade popular. Stands com comidas típicas, artesanato e exposição de fotos atraíram o público que fez fila para saborear o famoso ceviche.

O embaixador do Peru no Brasil, Vicente Rojas Escalante, lembrou que no Acre encontra-se um dos pontos mais próximos entre Peru e Brasil. Para ele, é a partir daí, ambos países devem fortalecer as relações em toda a zona de fronteira, que tem uma extensão de 2.800 km. “Desse modo, devemos fortalecer todos os níveis de nossas relações como Peru–Brasil. São muitos os temas que nos unem: o comércio, o turismo, nossa cultura e até mesmo, os problemas que devemos superar juntos”, ressaltou Escalante.
Presente no evento, ele falou ainda da satisfação de fazer parte desse projeto que divulga e une. “Sobre o evento Sarau Chatô acredito ser uma excelente iniciativa em estabelecer os vínculos entre os Estados Federativos do Brasil e os países do mundo. No caso do Sarau Chatô Peru–Acre, tem por mim um significado especial, por tratar-se de um encontro direto entre as culturas do Peru e o Brasil”, concluiu o embaixador peruano.

É nesse cenário que poesia, música, gastronomia e artesanato acriano repercutem mundo afora e trazem a Brasília as particularidades do Norte brasileiro. Os sabores do Acre, influenciados por portugueses, libaneses, nordestinos, índios, bolivianos e peruanos.

A secretária do governo do Estado do Acre, Rachel Moreira, aponta que estar no Sarau Chatô é uma oportunidade de o Brasil e o mundo conhecerem mais sobre a cultura e a história acreana. “O Acre é o único estado que já foi um país – império de Luiz Gálvez Rodrigues de Arias, entre 14 de julho de 1899 e 1 de janeiro de 1900 – éramos território boliviano, lutamos e nos tornamos território brasileiro. Há 20 anos escolhemos como política pública o Desenvolvimento Sustentável, numa época em que”, revela a Moreira.

Ainda de acordo com Rachel, o turismo e toda a cadeia produtiva do Acre tem esse conceito de sustentabilidade, criado na década de 1970. “É uma oportunidade de mostrar o que nós temos a oferecer. O bambu é a madeira do futuro e nós temos a maior floresta nativa de bambu do mundo”, completou a secretária do governo do Acre.

Já a representação brasileira veio com Keilah Diniz, Alberan Moraes e Beto Brasiliense que cantaram o Norte brasileiro. O compositor e músico Alberan Moraes também se apresentou. “Minhas músicas refletem a natureza e a identidade amazônica. São coisas que trago em mim”, disse Alberan.
A poesia de Francis Mary Alves de Lima (Bruxinha) e a contação de histórias de Karla Martins animaram a noite. Bruxinha passou infância e adolescência subindo em árvores, tomando banhos de açudes e ouvindo histórias sobre as pessoas e os mitos da floresta, contada pelos avós. “O imaginário dos povos da floresta é a minha principal fonte de inspiração”, contou a poetisa que foi consultora da minissérie Amazônia: De Galvez a Chico Mendes, de Glória Perez.
O Sarau – Iniciado em dezembro de 2011, o projeto denominado Sarau Chatô consiste em uma série de eventos multiculturais gratuitos que reúnem no mesmo espaço as mais variadas manifestações artísticas, como música, dança, teatro, artes plásticas e cinema. A cada edição, são homenageados um estado brasileiro e um país com embaixada em Brasília. A realização é da Fundação Assis Chateaubriand e o patrocínio, da Petrobras.















