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Home Destaque 2

China e Brasil: relação amistosa está mantida

por Liz Elaine
10 de abril de 2020
em Destaque 2, Diplomacia
Tempo de Leitura: 3 mins
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O ministro Qu Yuhui disse o bom relacionamento entre os dois países serão abaladas facilmente por “declarações irresponsáveis” que não representam a opinião da maioria dos brasileiros. Em sua coletiva, o diplomata falou que o Brasil tem duas lições a fazer; a primeira é estar preparado para o pior e a segunda, o governo adotar medidas sistemáticas. Yuhui afirmou ainda que isolamento rigoroso é essencial e relatou as dificuldades de produção de equipamentos das empresas chinesas, embora trabalhem 24 horas por dia. Segundo o ministro-conselheiro, a China e os cientistas daquele país “não recomendam o uso de nenhum remédio sem a devida comprovação em testes teste em humanos”, referindo-se a Cloroquina.

Qu Yuhui disse que os episódios xenófobos provocados pelo filho do presidente Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o ministro da Educação, Abraham Weintraub, não vão afetar a relação comercial entre os dois países. Diante da pandemia do novo coronavírus, a China é o principal país exportador de insumos médicos para ajudar no combate ao Covid-19 e maior parceiro comercial do Brasil. De acordo o diplomata, a soma de exportações e importações entre Brasil e China já chega a US$ 100 bilhões por ano. O superávit para o Brasil é de US$ 30 bilhões. “A parceria continuará sendo importante para os dois lados. Por isso lamentamos só quererem atrapalhar”, disse.

A China está, segundo Yuhui, com a sua capacidade de fabricação de respiradores artificiais comprometida devido à proibição, pelos Estados Unidos e pela União Europeia, das exportações de equipamentos médicos destinados ao combate à pandemia de coronavírus. Segundo ele, as empresas do país asiático não estão conseguindo importar peças e componentes para a produção e, com isso, têm dificuldades para atender à demanda internacional, inclusive do Brasil, que encomendou cerca de 15 mil respiradores.

O ministro-conselheiro afirmou que, até o momento, o governo chinês recebeu 248 pedidos de materiais médicos do Ministério da Saúde e de 14 governos estaduais. Em troca, Pequim forneceu aos demandantes um catálogo com todos os exportadores chineses que possam garantir qualidade e prazo para a entrega dos produtos. Yuhui garantiu que as autoridades chinesas desconheciam a encomenda feita por estados do Nordeste de 600 respiradores e que tomaram conhecimento de que os equipamentos haviam sido retidos na alfândega dos EUA e depois revendidos para outra cidade americana.

“Notamos que nem todas as compras são feitas com a intermediação do governo da China. Muitos compradores recorrem a intermediários (tradings companies) para fazer as transações, o que é uma prática natural em circunstâncias normais. Nesse caso, pouco podemos fazer para ajudar. Os compradores devem selecionar bem esses intermediários”, orientou Yuhui para não haver mais reclamações de descumprimento de prazos, confiscos ou materiais irregulares. “O maior desafio agora é alcançar o equilíbrio entre demanda e a oferta. Até agora 58 países que fecharam acordo de aquisição com empresas chinesas”, disse o diplomata.

Apoio mundial – Ao todo, o governo da China já ofereceu ajuda a 127 países e quatro organizações internacionais, com EPIs e respiradores e doação de R$ 20 milhões à OMS incluindo o envio de equipes médicas para 11 países. “Desde março já exportamos 3,8 bilhões de máscaras a mais de 50 países, 16 mil respiradores e quase três milhões de testes e assinamos acordo de compras para fornecer equipamentos e materiais”, enumerou Qu Yuhui .

Ele disse ter ouvido sobre a possibilidade de o Brasil enviar 40 aviões à China, para buscar equipamentos, mas afirmou não ter detalhes sobre isso. Repetiu que o governo chinês estará pronto a ajudar no que for necessário. No último dia 7, o ministro Luiz Henrique Mandetta procurou a embaixada chinesa para pedir um esforço comum para a entrega de equipamentos médicos. 

Confinamento – O ministro Qu Yuhui afirmou, durante a entrevista, que isolamento rigoroso é essencial. “Não estou olhando com bons olhos as medidas de afrouxamento tomadas por alguns Estados aqui no Brasil. Aqui a curva ainda está em extensão”, disse ele, referindo-se às medidas restritivas tomadas para conter o avanço da doença. A seu ver, os números do país no combate à doença são bons porque o governo e a população chinesa fazem grandes esforços. “Na nossa experiência, isolamento rigoroso é essencial. Não para vencer a pandemia, mas para ganhar tempo”, disse.

“Estamos diante de uma doença perigosa e desconhecida, talvez conheçamos 10% dessa doença. Por isso a China interditou a cidade de Wuhan, epicentro inicial da doença. Não foi fácil, mas valeu a pena. Conseguimos ganhar tempo não só para a China, mas para o mundo. Uma pesquisa mostra que, com essa medida, conseguimos reduzir, até 19 de fevereiro, 700 mil casos infectados”, afirmou.

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