O luxo silencioso que não chega às prateleiras
Por Rachel Alves M Nariyoshi
No universo dos vinhos espumantes de prestígio, poucos nomes evocam tanto requinte quanto a própria palavra Champagne. Inserida nesse contexto de tradição secular e excelência técnica, a Cartier construiu sua reputação mundial assinando joias, relógios e perfumes, símbolos de sofisticação e desejo.
Fundada em 1847 por Louis-François Cartier, hoje a Maison Cartier é propriedade do grupo suíço de luxo Richemont, liderado por Johann Rupert. Mas, o que poucos sabem, no entanto, é que a Maison também deixou sua marca no universo do vinho ao associar seu nome a um Champagne. Mais do que um produto, trata-se de um símbolo cultural, onde história, terroir e técnica convergem para dar origem a vinho de notável elegância.
Inicialmente o Champagne Cuvée Brut Cartier foi elaborado em 1947, por Vranken-Pommery para celebrar o centenário da famosa joalheria francesa. Tamanho sucesso que continuaram a elaborá-lo ao longo dos anos. Não se trata de um produto convencional, mas de uma peça de exceção, um champagne que surge como objeto simbólico e não como item de mercado. Não é vendido através dos canais de distribuição habituais, tampouco em alguma prateleira do circuito comercial tradicional. Foi elaborado para presentear os clientes mais prestigiados da Maison.
A denominação Champagne é protegida e rigorosamente regulamentada, sendo exclusiva para vinhos produzidos na região homônima, sob regras estritas. Por exemplo, o padrão clássico da região para elaboração de Champagnes determina o uso das variedades Chardonnay, Pinot Noir e a Pinot Meunier. Assim, o Champagne Cuvée Brut Cartier apresenta uma composição singular: é elaborada majoritariamente a partir da variedade Pinot Meunier, proveniente de 32 aldeias da região.
Acondicionada no emblemático porta-joias vermelho, o Champagne Cartier é objeto de coleção, não de consumo! Trata-se de uma manifestação do luxo em sua forma mais seletiva. Um vinho que não busca reconhecimento, mas que, justamente por isso o alcança. Sua circulação acontece, por exemplo, nos eventos privados dos clientes de alto prestígio, reafirmando a força da tradição aliada à elegância contemporânea. Mais do que um vinho espumante é uma experiência que celebra o tempo, a cultura e a arte de viver.
A associação entre Cartier e Champagne transcende o produto: trata-se de uma manifestação de elegância e glamour. Um vinho que não busca reconhecimento, mas que, justamente por isso o alcança, revelando, então, que no universo do alto luxo exclusividade não se anuncia, se revela!
@rachelalves.professoradevinhos








