A Geórgia está de luto após a morte de Sua Santidade e Beatitude Ilia II, Catolicos-Patriarca de toda a Geórgia, falecido em 17 de março de 2026, aos 93 anos. Mais do que um líder religioso, Ilia II era amplamente considerado o pai espiritual da nação e uma das figuras mais influentes da história moderna georgiana.
Nascido em 1933, Ilia II foi ordenado monge em 1957 e ascendeu gradualmente na hierarquia eclesiástica. Em 1977, foi eleito Católicos Patriarca de Toda a Geórgia, assumindo a liderança de uma Igreja profundamente fragilizada por décadas de repressão soviética e ateísmo imposto.
Naquele período, a vida religiosa na Geórgia era marginalizada e a presença institucional da Igreja era mínima. Sob sua liderança, porém, a Igreja Ortodoxa Georgiana experimentou um notável renascimento. Durante seu patriarcado, o número de dioceses mais que dobrou, passando de 15 para 33, refletindo tanto a expansão institucional quanto um retorno mais amplo da sociedade à identidade religiosa. Seminários e instituições teológicas foram restabelecidos em diversas regiões do país, incluindo Tbilisi, Batumi, Akhaltsikhe, Kutaisi e Khulo. A restauração da Academia de Gelati, após séculos de inatividade, simbolizou um renascimento intelectual e espiritual mais amplo sob os auspícios da Igreja.
Um dos legados mais visíveis desse período é a Catedral da Santíssima Trindade de Tbilisi, a maior igreja da Geórgia, construída durante seu patriarcado e hoje um símbolo central da identidade nacional e religiosa.
A influência de Ilia II foi muito além das estruturas eclesiásticas. Ele era frequentemente visto como uma autoridade moral cuja voz transcendia divisões políticas. Em momentos de crise nacional, ofereceu não apenas orientação espiritual, mas também um senso de continuidade e estabilidade. Seus sermões e pronunciamentos públicos enfatizavam valores como perdão, paciência e unidade — princípios que ressoaram profundamente na sociedade georgiana.
Seu papel na preservação da identidade nacional foi particularmente relevante. Sob sua liderança, a Igreja tornou-se um pilar fundamental da coesão social. Por meio de seus esforços, a tradição religiosa foi reconectada à consciência nacional, reforçando um senso de continuidade histórica enraizado na antiga herança cristã da Geórgia.
Ilia II também desempenhou um papel central na vida cultural e intelectual do país. Com sua bênção, a Bíblia foi publicada em georgiano moderno, juntamente com diversas obras teológicas, revistas e materiais educacionais. A educação religiosa, antes reprimida, foi reintroduzida e institucionalizada. Sua liderança contribuiu para a revitalização de tradições georgianas, incluindo a música litúrgica, a polifonia e a arte eclesiástica. De forma mais ampla, ajudou a reposicionar a religião não apenas como expressão de fé individual, mas como um componente essencial da cultura nacional.
Para muitos georgianos, Ilia II foi mais do que um patriarca — foi uma figura paterna. Gerações cresceram sob sua orientação espiritual, muitas delas batizadas e abençoadas pessoalmente por ele. Sua morte provocou uma onda de comoção nacional. Em toda a Geórgia, cidadãos prestam homenagens a um líder cuja vida foi dedicada ao serviço a Deus, à nação e à humanidade.
A Geórgia perde um pai, mas suas orações, seus ensinamentos e seu amor pela pátria permanecerão eternos.
Fonte: Embaixada da Geórgia




