À frente de missão oficial a Nova Delhi, Geraldo Alckmin anuncia iniciativas com potencial de dar novo fôlego ao intercâmbio comercial entre os dois países e com o Mercosul

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, anunciou, na tarde desta quinta-feira (16), três resultados relevantes da missão oficial que lidera esta semana na Índia. São eles o Acordo Mercosul-Índia, emissão de visto eletrônico para negócios e contrato da Petrobras para fornecimento de petróleo.
O entendimento foi formalizado em comunicado conjunto com o ministro indiano do Comércio e Indústria, Piyush Goyal, após reunião bilateral na capital indiana. O encontro marcou o início de um processo de negociação que deverá ser concluído em até um ano, com o objetivo de ampliar o número de produtos com tarifas reduzidas entre os dois blocos, incluindo o lançamento das negociações para ampliar o Acordo de Preferências Tarifárias Mercosul–Índia, em vigor desde 2009.
Em declaração conjunta, as duas partes concordaram que a ampliação do acordo deve ser substancial, contemplando uma parcela significativa do comércio bilateral e incluindo questões tarifárias e não tarifárias. O processo também vai contar com a participação do setor privado e de outras partes interessadas
“Foi um princípio auspicioso de um processo negociador no qual trabalharemos para normalizar e abrir novos caminhos para as relações bilaterais. Reiterei a posição brasileira, transmitida diretamente pelo presidente Lula ao presidente Trump na semana passada, sobre a necessidade de reversão das medidas adotadas pelo governo norte-americano desde julho”, afirmou Alckmin, referindo-se ao contexto mais amplo da política comercial brasileira.
Atualmente, o acordo entre o Mercosul e a Índia cobre cerca de 450 linhas tarifárias. A meta, segundo Alckmin, é ampliar substancialmente o escopo e incluir novas áreas de cooperação comercial.
O próximo passo será o início de um diálogo técnico, com a realização de uma reunião do Comitê de Administração Conjunta, responsável por definir o escopo da ampliação. A meta é concluir as negociações em até um ano após o lançamento oficial. O Brasil informou que vai atuar de forma coordenada com os demais países do Mercosul para garantir que o aprofundamento do acordo seja ágil e mutuamente benéfico.
PREFERÊNCIAS TARIFÁRIAS – Alckmin e o ministro de Comércio e Indústria da Índia, Piyush Goyal, anunciaram a ampliação do Acordo de Preferências Tarifárias Mercosul-Índia. O vice-presidente explicou que a versão atual cobre em torno de 450 linhas tarifárias, mas chegou-se a um cronograma de ampliação para diversificar produtos com tarifa reduzida. A perspectiva de expansão é esperada pelas empresas brasileiras presentes no mercado indiano ou que exportam para ele.
20 BILHÕES – “Hoje temos um acordo de preferência tarifária que cobre um número de linhas tarifárias pequeno. Então, podemos aprofundar, ampliar essas linhas tarifárias para ter preferência nas vendas”, disse Alckmin. “O comércio entre Brasil e Índia está crescendo. O ano passado foi 12 bilhões de dólares. Este ano pode chegar a 15 bilhões de dólares. A exportação da Índia para o Brasil cresce mais de 30% este ano e poderemos rapidamente chegar a 20 bilhões de dólares”, projetou.
VISTO ELETRÔNICO – O vice-presidente também anunciou que o Brasil passará a emitir visto eletrônico de negócios para a Índia. “Quero trazer uma boa notícia que é o visto eletrônico. Toda a área de negócios, consultoria terá visto eletrônico aqui na embaixada em Nova Delhi e no consulado em Mumbai”, anunciou Alckmin.
PETROBRAS – O vice-presidente também destacou a área de energia. “A Petrobras assina hoje um contrato para fornecimento de mais 6 milhões de barris de petróleo para a Índia. E está lançando 18 blocos offshore para a exploração de petróleo no Brasil, na Bacia de Santos e na Bacia de Campos. É recorde. Então são 18 blocos no ano que vem e um número muito maior ainda em onshore, em terra”, disse.
FIOCRUZ – Alckmin ressaltou que será anunciado ainda acordo na área de saúde, com a chegada do ministro Alexandre Padilha a Nova Délhi. “Queremos ampliar a nossa parceria na saúde e na indústria ligada à saúde. E chega nesta sexta-feira o ministro da saúde do Brasil, porque podemos ampliar também na área da indústria farmacêutica e vacinas”, disse Alckmin.
Fonte: Agência Brasil





