Exposição lembra os 80 anos do evento que exigiu tradução dos depoimentos em tempo real

Depois de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, agora chegou a vez de capital do Brasil receber a exposição “1 Julgamento, 4 Línguas – Os pioneiros da interpretação simultânea em Nuremberg”. A mostra, aberta, no dia 16 de março, na Biblioteca Nacional de Brasília, narra o marco histórico em que a interpretação simultânea foi usada oficialmente pela primeira vez, durante os Tribunais de Nuremberg (1945-1946).
Foi formada um equipe de 30 intérpretes , trabalhando em turnos, para traduzir depoimentos em inglês, francês, russo e alemão, garantindo o direito de defesa dos oficiais nazistas. Os profissionais traduziram detalhes do holocausto, tradução esta que permitiu que juízes, promotores e réus entendesse as acusações em tempo real no julgamento de Nuremberg.
A exposição que conta a história dos pioneiros da interpretação simultânea foi organizada pela Associação Internacional de Intérpretes de Conferência (AIIC Brasil) e a Associação Profissional de Intérpretes de Conferência (APIC), com o apoio da Embaixada da Alemanha no Brasil.
“Esta mostra é fruto, com certeza, de um trabalho de amor e profundo respeito não somente daqueles que a conceberam desde seus primórdios, mas também daqueles que abraçaram a ideia de fazer correr o mundo a história dos grandes pioneiros da interpretação simultânea”, afirma Marsel Souza, Presidente da APIC.
“O Intérprete deve se envolver no assunto, estudá-lo para se incorporar ao orador e se apropriar do discurso dele”, acredita a Presidente da AIIC Brasil, Larissa Benevides. Segundo ela, a pesquisa do material exposto foi importantíssima porque “deu luz às identidades dos intérpretes” que tiveram um papel importantíssimo. “Foi durante o julgamento que a interpretação simultânea passou a ser adotada nos organismos internacionaisr”, completou.
Já a Fernanda Mathias, Vice-presidente da AIIC Central, lembrou que pouca gente sabe que os mais de 30 intérpretes trabalhavam em turnos com 12 profissionais, e passando o microfone entre si, com pouco ou nenhum apoio psicológico e enfrentando a responsabilidade de garantir um julgamento justo. “Eles eram as vozes dos réus, daqueles que estavam julgando; juízes, promotores, advogados”, disse. Os intérpretes falavam em quatro línguas, francês, alemão, russo e inglês, o que, a seu ver, “foi essencial para um bom resultado”.

A “Operação Impossível”
A interpretação simultânea era desconhecida; intérpretes, acostumados com a consecutiva, achavam o esforço de concentração insustentável. Porém os pioneiros de Nuremberg trabalhavam em cabines envidraçadas, usando equipamentos pesados e passando microfones entre si, com risco alto de erros. A técnica desenvolvida em Nuremberg estabeleceu os padrões atuais de conferência internacional e de interpretação em tempo real.
A exposição internacional começou na Alemanha, passou por vários países e chegou finalmente ao Brasil. Passou por São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte e agora chega à Brasília . A abertura contou com a presença de autoridades, corpo diplomático e vários intérpretes brasileiros que demostraram a importância da tradução simultânea numa dinâmica performática.
O julgamento foi realizado entre 1945 e 1946, de modo que a atual edição da exposição marca os 80 anos do advento da interpretação simultânea, já que Nuremberg foi o primeiro evento multilíngue de grande magnitude com o uso da modalidade simultânea.
A exposição “1 Julgamento, 4 Línguas – Os pioneiros da interpretação simultânea em Nuremberg” fica aberta ao público até dia 10 de abril no segundo piso da Biblioteca Nacional de Brasília.

Sessões Acadêmicas
Durante o período da exposição em Brasília serão oferecidas seis palestra que tem a interpretação simultânea, sempre das 19h às 21h.
16/03 – A importância do Julgamento de Nuremberg para a diplomacia mundial / Wolfgang Bindseil – Representante da Embaixada da Alemanha
23/03 – Verdade, Prova e Narrativa: o julgamento de atrocidades e a construção da memória pública/ Profº Christian Jecov Shallenmuller
Antes e depois de Nuremberg: A evolução da interpretação de conferência / Marsel Souza- Presidente da APIC
30/03 – O crepúsculo dos deuses: as muitas vidas em Nuremberg/ Profº Joanisval Gonçalves
06/04 – Os próximos 80 anos da interpretação de conferência – Mesa redonda com representantes da AIIC e APIC










