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Jovem que fugiu da família narra ‘vida de escrava’ na Arábia Saudita

15 de janeiro de 2019
em Mundo
Tempo de Leitura: 3 mins
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Rahaf Mohamed, que conseguiu asilo no Canadá, diz que era agredida pela mãe e irmão e que considerou suicídio

Por France Presse

Rahaf Mohamed al-Qunun, a jovem que recebeu asilo no Canadá, contou que fugiu da Arábia Saudita por causa de sua “condição de escrava” e pela violência física infligida a ela por sua mãe e seu irmão.

O caso da moça de 18 anos, que ficou entrincheirada em um quarto de hotel em Bangcoc fazendo campanha on-line, causou uma mobilização internacional. Ela finalmente obteve asilo no Canadá, onde, aparentemente, pretende começar uma vida nova. “Meu maior medo era que (meus pais) me encontrassem”, declarou ela em árabe à emissora CBC, em sua primeira entrevista desde que chegou a Toronto, no sábado (12).

Ela também admitiu ter considerado o suicídio como uma alternativa para escapar da família. “Fiquei trancada durante seis meses, porque cortei o cabelo”, explicou, acrescentando que sofria regularmente “violência física” por parte do irmão e da mãe. “As mulheres sauditas são tratadas como escravas”, enfatizou.

No Canadá, ela contou ter recebido uma carta da família, na qual foi informada, entre outras coisas, de que eles a renegam como filha. Por esta razão, a adolescente pediu para ser chamada apenas de Rahaf Mohammed e, assim, eliminar o sobrenome de sua família, Al-Qunun. “Muitas pessoas me odeiam, seja da minha família, ou na Arábia Saudita em geral”, acrescentou a jovem com voz embargada.

Futuro no Canadá

Com a ajuda de uma ONG, ela diz que quer estudar inglês e encontrar um emprego no Canadá. “Senti que não poderia realizar meus sonhos, vivendo na Arábia Saudita”, acrescentou, reiterando sua felicidade por ter recebido asilo.

“Eu tive a impressão de que renasci, especialmente quando senti todo esse amor e acolhida”, explicou. “Diga aos canadenses que eu os amo”, agradeceu.

Fuga

A jovem foi retida na Tailândia na semana passada, ao chegar a Bangcoc, procedente do Kuwait, onde tinha conseguido escapar de sua família. Inicialmente, as autoridades tailandesas ameaçaram deportá-la de volta para casa, a pedido da Arábia Saudita.

Rahaf se entrincheirou em um quarto de hotel no aeroporto, tuitando várias mensagens e vídeos desesperados. Logo, chamou a atenção do mundo.

Depois de uma intensa mobilização a seu favor nas redes sociais, as autoridades tailandesas renunciaram à ideia de deportá-la e lhe permitiram sair do aeroporto com representantes do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), que lhe concederam status de refugiada.

País restritivo

A Arábia Saudita é um dos países mais restritivos do mundo em termos de direitos das mulheres, que estão sujeitas à tutela de um homem (pai, marido, ou outro parente). Essa figura masculina exerce autoridade arbitrária sobre elas e toma decisões importantes em suas vidas.

O caso da jovem ocorreu em um período em que muitos olhares se voltam para a questão do respeito aos direitos humanos no país árabe, meses depois do assassinato do jornalista saudita dissidente Jamal Khashoggi, na Turquia.

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