Etapa inicial do plano de Trump prevê a libertação, em 72 horas, de 20 reféns israelenses e de 2 mil presos palestinos. Presidente dos EUA fala em “grande dia para o mundo árabe e muçulmano e para Israel”. Acordo deve ser assinado hoje, no Egito.
O anúncio foi feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em sua plataforma Truth Social, às 18h51 desta quarta-feira (8/10) pelo horário de Washington (1h51 desta quinta-feira, em Sharm El Skheikh, no Egito), um dia depois do segundo aniversário do massacre de 7 de outubro de 2023 e do início da guerra na Faixa de Gaza. “Estou muito orgulhoso em anunciar que Israel e Hamas assinaram a primeira fase de nosso plano de paz. Isso significa que todos os reféns serão libertados muito em breve, e Israel retirará suas tropas para uma linha pré-acordada, como os primeiros passos rumo a uma paz duradoura, eterna e forte”, escreveu.
“Todas as partes serão tratadas com justiça! Este é um grande dia para o mundo árabe e muçulmano, para Israel, para todas as nações vizinhas, e para os Estados Unidos. Agradecemos aos mediadores do Catar, do Egito e da Turquia, que trabalharam para fazer com que esse evento histórico e sem precedentes ocorresse. Abençoados sejam os pacificadores!”, acrescentou. À noite, Trump disse esperar que todos os reféns estejam entregues até segunda-feira.

De que forma o acordo pode atender aos anseios do povo palestino?
Vemos este acordo como um passo necessário e positivo para pôr fim ao sofrimento da população civil em Gaza. Desde o primeiro dia, desejávamos que a agressão cessasse e que o silêncio das armas permitisse o alívio da tragédia humanitária. Este entendimento representa uma oportunidade real para abrir caminho a um processo político sério, que conduza ao reconhecimento pleno do Estado da Palestina e à concretização das aspirações legítimas do nosso povo à liberdade, à segurança e à dignidade. Apelamos à comunidade internacional para preservar o impulso deste acordo histórico, transformando-o no ponto de partida para uma paz duradoura e para o estabelecimento do Estado da Palestina independente.
A agência France-Presse (AFP) divulgou que às 6h desta quinta-feira (pelo horário de Brasília) haverá uma assinatura formal da primeira etapa do plano. Jornalistas viram o momento em que Marco Rubio, secretário de Estado americano, entregou a Trump um bilhete no qual anunciava o acordo e cochichou no ouvido do republicano.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, publicou na rede X: “Com a ajuda de Deus, traremos todos de volta”. O premiê reunirá o gabinete hoje para autorizar o acordo. “Um grande dia para Israel. Amanhã (hoje), convocarei o governo para aprovar o acordo e trazer todos os queridos reféns para casa”, disse, em nota. O líder israelense agradeceu aos “bravos soldados das IDF (Forças de Defesa de Israel) e a todas as forças de segurança. “É graças à coragem e ao sacrifício deles que chegamos a este dia”, destacou.
Uma fonte do movimento islâmico palestino Hamas citada pela AFP disse que, na primeira etapa do acordo, 20 reféns serão libertados de uma só vez, em troca de 2 mil presos palestinos. A troca deve ocorrer nas 72 horas seguintes ao início da implementação do acordo. Dos 250 israelenses sequestrados no sul de Israel pelo Hamas, 48 ainda estão em Gaza. A guerra na Faixa de Gaza deixou pelo menos 67 mil mortos, segundo o Ministério da Saúde controlado pelo Hamas.
Em comunicado à imprensa, o Hamas informou que, “após negociações sérias e responsáveis (…) em Sharm El Sheikh, com o objetivo de alcançar o fim da guerra de extermínio contra o nosso povo palestino e a retirada da ocupação da Faixa de Gaza; o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) anuncia ter chegado a um acordo que prevê o fim da guerra em Gaza, a retirada das forças de ocupação, a entrada de ajuda humanitária e a troca de prisioneiros”.
Fonte: Correio Brasiliense





