Súsan Faria
Fotos: Eliane Loin

De acordo com Neogilda, há atualmente um empoderamento importante das mulheres em Angola. “A questão de gênero melhorou no país, também fruto de acordos para melhores condições de vida das mulheres, como os realizados pela União Africana”, disse. Segundo a embaixatriz, além de Angola, em Ruanda e Cabo Verde as mulheres estão bem situadas no parlamento e no executivo. Já a Presidente do Grupo de Conjugues de Chefes de Missão, embaixatriz Julie Pascale, lembrou que no país dela, o Gabão, assim como no Brasil, há violência, mas que a “mulher tem a força do mundo”.

Empreendedoras – A ministra dos Direitos Humanos, Luisinda Valois, baiana, desembargadora e primeira juíza negra no Brasil, lembrou que as mulheres negras ao preparar e vender quitutes nas ruas de Minas Gerais foram as primeiras empreendedoras do Brasil. Destacou que a mulher negra é a mais sofrida pelos assédios moral e sexual. “É a que mais traficada, a que lota e superlota as cadeias, muitas vezes sem culpa, por ser obrigada a carregar drogas. Dói muito entrar nas cadeias e ver tanta preta dentro delas”, comentou.

A audiência pública foi requerida pelo deputado distrital e jornalista Ivonildo Lira Antônio de Medeiros (PHS). Na opinião do parlamentar, é necessário discutir estratégias de apoio às mulheres e o enfrentamento da violência que elas sofrem. O deputado entende que apesar das muitas vitórias dos movimentos sociais, sobretudo dos movimentos feministas e dos negros, nas longas trajetórias de lutas, há muito a ser feito para consolidar e ampliar essas conquistas. “No Brasil há posturas racistas e sexistas. Precisamos unir forças para mudar essa realidade”, disse.

Mariana de Mendonça, de 17 anos, da Juventude Negra, também homenageada, contou que aprendeu a ser negra, a dar valor a si mesma. “Entro na escola com saia longa e turbante. Acho bonito. Sou de axé, sou livre”, disse. Durante a audiência pública “Questão de Gênero e o empoderamento da mulher negra”, foram recitados poemas e ao final o grupo de capoeira “Chibata” tocou, cantou e dançou.

Mineira, Neide Castanha morreu em 26 de janeiro de 2010, vítima de câncer. Participou ativamente do processo de construção do Estatuto da Criança e do Adolescente e da criação do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. Foi membro técnico da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que pesquisou redes de exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil.





















