Isaura Daniel
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São Paulo – Lideranças do setor privado e público do Brasil e Emirados deixaram claro que estão dispostos a ter uma relação mais próxima e a aceleração do uso da inovação e da tecnologia, deflagrada pelo cenário da covid-19, pode ser uma oportunidade para isso. “Podemos aproveitar a oportunidade da inovação e da tecnologia para desenvolver nossa relação”, disse o CEO do Parque de Pesquisa, Tecnologia e Inovação de Sharjah, Hussein Al Mahmoudi, durante fórum que reuniu público dos dois países neste domingo (03) em Dubai. Na foto acima, Al Mahmoudi e a vice-presidente de Tecnologia Digital e Serviços da Abu Dhabi Portos, Sarah Al-Najjar.


Os palestrantes do painel contaram sobre o trabalho pela inovação, tecnologia e sustentabilidade realizado pelos organismos e institutos nos quais atuam. Al Mahmoudi disse que no Parque de Pesquisa, Tecnologia e Inovação de Sharjah o mandato é prover tecnologia e inovação e usá-las para gerar impacto econômico e oportunidades econômicas, além de construir talentos e capital humano.

Sarah Al-Najjar contou como o uso da tecnologia vem favorecendo as atividades da Abu Dhabi Ports. A empresa é operadora de portos, zonas industriais e de logística com atuação nos Emirados Árabes Unidos e exterior. “Estamos introduzindo aprendizagem de máquinas e inteligência artificial para ter uma integração perfeita entre os diferentes participantes”, disse ela sobre as operações. Al-Najjar contou sobre o uso de nova plataforma que integra instituições e governos e oferece serviços aos consumidores. Ela disse que tudo isso traz muita transparência para a cadeia.
O diretor de Negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Lucas Fiuza, contou que o Brasil está vivendo um novo momento, digital. Segundo ele, Brasil e Emirados têm uma parceria estratégica, baseada principalmente na agricultura, com o fornecimento de proteínas, e o novo momento trará um ambiente propício para mais negócios. Ele contou como o uso da tecnologia agrícola ajudou o Brasil a plantar em terras que não eram consideradas ideais e disse que o País pode dividir esse conhecimento com os Emirados.

A sustentabilidade na cadeia do frango – A diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Sula Alves, deu um panorama sobre como setor aviário brasileiro trabalha a sustentabilidade. As carnes de aves estão entre os principais produtos exportados pelo Brasil aos países árabes. Ela disse que sustentabilidade é também não passar fome e que o Brasil oferece isso ao fornecer alimentos a 150 países por um preço bom, para que tenham segurança alimentar.
Alves lista uma série de ações levadas adiante pelo setor aviário no Brasil pela sustentabilidade, como o uso de raças de aves adequadas para o ambiente, o que gera melhores resultados. “O Brasil, devido a suas características naturais, tem aptidão e vocação para a produção de alimentos”, afirmou a diretora técnica da ABPA.
A executiva citou como sustentabilidade praticada no setor o respeito aos hábitos de consumo, culturais e religiosos de cada país ao qual o Brasil fornece a produção realizada fora do bioma amazônico, a alta taxa de recirculação e reuso de água pelos aviários, o tratamento de resíduos, o sistema de produção integrado das empresas junto aos agricultores, que leva a eles capacitação e valorização. “Os exemplos aqui apresentados são práticas muito comuns das nossas associadas”, disse.
Fórum – O fórum foi organizado pela Câmara Árabe em parceria com o Ministério da Economia dos Emirados Árabes Unidos, a Federação das Câmaras de Comércio e Indústria dos Emirados Árabes, a Embaixada do Brasil nos Emirados Árabes e a Câmara de Dubai. Os debates ocorreram no Hotel Conrad, em Dubai, paralelamente à Expo 2020, aberta ao público no emirado na sexta-feira (01) e da qual o Brasil participa.
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