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Home Comércio Exterior

Guerra comercial EUA-China-UE pode gerar movimento de desglobalização, diz especialista

por Embassy News
5 de julho de 2018
em Comércio Exterior, Economia
Tempo de Leitura: 3 mins
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Ana Cristina Dib

O acirramento da disputa comercial entre as três maiores potências do planeta –Estados Unidos, China e União Europeia- poderá resultar num possível movimento de desglobalização que afetaria diretamente toda a economia mundial, fecharia muitas portas que demoraram tanto para serem abertas e atingiria toda a economiza mundial. A avaliação foi feita por Michelle Fernandes (Especialista em Comércio Exterior e Diretora da M2Trade Importação & Exportação).

Em entrevista ao Comexdobrasil.com, Michelle Fernandes afirmou que “um possível movimento de desglobalização teria reflexos diretos em toda a economia mundial. Este retrocesso pesaria para a economia em todos os níveis: balança comercial, empresas, comércio em geral, indústria, prestação de serviços, geração de empregos, enfim, teria uma série de impactos negativos. A disputa por interesses por parte destes países nos atrasaria como um todo. Estaríamos fechando tantas portas que demoramos para abrir”.

Ao analisar mais uma decisão adotada recentemente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no sentido de impor sobretaxas a produtos chineses exportados para o mercado americano, a especialista disse que a medida “certamente gerou uma tensão entre as duas maiores potências econômicas do mundo. Essa escalada protecionista tem poder de prejudicar diversos países e diminuir o fluxo do comércio internacional. A atitude de Donald Trump vem de encontro com a sua política de “America’s First” para valorizar os produtos americanos”.

De acordo com a especialista, “as consequências ainda são imprevisíveis. No último mês, após negociações, China e Estados Unidos decidiram diminuir consideravelmente o déficit comercial americano. Neste caso, pode ser que tenhamos uma redução nas taxas de importação de mercadorias oriundas deste acordo com destino ao Brasil. Vamos aguardar”.

Michelle Fernandes disse acreditar que “que todos os países que representarem uma possível ameaça de desvalorização da indústria e comércio americano, devem ser “punidos” com sobretaxas similares. O Brasil , por exemplo, importa muitas máquinas e equipamentos, tecnologia dos EUA, isso poderia comprometer esses setores da nossa economia. Um possível reflexo desta guerra comercial para nós seria o aumento dos custos de importação, o que será penoso para as empresas e para o consumidor final”.

As novas medidas a serem aplicadas pelos Estados Unidos contra os produtos chineses devem entrar em vigor na próxima sexta-feira (6) e a Diretora da M2Trade considera que ainda é prematuro para definir-se as consequências dessas ações não apenas para o comércio sino-americano como até mesmo para o comércio mundial como um todo.

Para ela, “o conflito de interesses ainda pode ser contornado com negociações amigáveis – é o que esperamos. No entanto, caso um acordo não aconteça, o impasse pode ocasionar uma escalada de tarifas, aumentar consideravelmente os custos das exportações e ainda iniciar uma desaceleração do comércio internacional”.

Segundo Michelle Fernandes,”essas medidas protecionistas geram transtornos e danos, na maior parte das vezes, irreversíveis na economia. Acredito que não seja este o caminho”, mas ainda assim ela se mostra confiante em que esse não deverá ser o caminho escolhido pelas maiores economias mundiais.

Ela acredita que “o mundo globalizado deve aceitar a teoria máxima da economia das Vantagens Comparativas, de David Ricardo, que explica porque cada país deve se especializar na produção de determinados bens em que se tem o menor custo de produtividade e custo de oportunidade”.

Na avaliação da Diretora da M2Trade, a Organização Mundial do Comércio (OMC) precisa desempenhar um papel importante na busca de solução para uma cada vez mais inevitável guerra comercial envolvendo americanos, chineses e europeus e, segundo ela, “para evitar este retrocesso, a Organização poderia limitar as medidas protecionistas, como a salvaguarda por exemplo.  Evitando assim um caos maior para a economia mundial. O papel da OMC nessa situação específica será muito importante. Eles não podem ceder as “chantagens” comerciais dos EUA, isto quebraria vários acordos internacionais com outros países. A consequência seria um efeito dominó na economia global”.

Para concluir, sublinhou que “fundada nos anos 90, a Organização Mundial do Comércio é responsável por todas as regras do comércio internacional e eventuais soluções de conflito.  Na história recente da economia mundial, a tendência dos últimos anos tem sido de abertura comercial entre os países, incluindo China, que integrou à OMC em 2011”.

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