Em Brasília, Conselho dos Embaixadores Árabes reuniu convidados para um jantar alusivo à data

O Conselho dos Embaixadores Árabes no Brasil promoveu na terça-feira (24), em Brasília, o Iftar do Ramadan Kareem 2026, início do mês sagrado em que jejuam da alvorada ao pôr do sol e confraternizam em refeições coletivas após anoitecer. O decano do Conselho dos Embaixadores Árabes, Nabil Adghoghi, também embaixador do Marrocos no Brasil, foi o anfitrião do evento que reuniu diplomatas e autoridades do governo brasileiro.
O Ramadã, além do aspecto religioso, também se caracteriza pela convivência comunitári, quando, em diversos países muçulmanos, cidades ganham iluminações especiais, mercados noturnos e encontros familiares após o pôr do sol.
Entre os presentes estiveram o secretário de África e de Oriente Médio do Ministério das Relações Exteriores, Sérgio Sobral, e o vice-presidente de Relações Internacionais e secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Mohamad Orra Mourad.
Pouco antes do horário determinado para o início do Iftar, o embaixador Nabil Adghoghi discursou sobre a gratidão de compartilhar a refeição com os convidados, lembrando os valores do Ramadã – mês do calendário islâmico, no qual a maioria dos muçulmanos pratica o seu jejum ritual, o quarto dos cinco pilares do Islão.
Segundo Adghoghi, o mês sagrado representa misericórdia, perdão e devoção, além de fortalecer valores como paciência, generosidade, solidariedade e apoio mútuo. Destacou ainda que o jejum é prática comum às três religiões monoteístas, constituindo uma “escola ética e humanista” que promove a cultura de paz, o diálogo e o entendimento entre povos e civilizações.
Tradicionalmente, o Iftar tem início com tâmaras e água, seguindo costume atribuído ao profeta Muhammad, e é seguido por uma refeição mais completa, com frutas, sopas, pães e pratos típicos das diversas culinárias do mundo islâmico.
O Ramadã, nono mês do calendário islâmico, é um período de profundo significado religioso para os muçulmanos. Durante esse mês, os fiéis praticam o jejum diário — o sawm — do amanhecer ao anoitecer e intensificam a oração, a reflexão espiritual e a solidariedade com os mais vulneráveis. O jejum vai além da abstinência de alimentos e bebidas, envolvendo autocontrole, paciência e busca por uma conduta ética elevada. O período se encerra com o Eid al-Fitr, celebração que reúne fé, convivência familiar e caridade.
Itamaraty

Representando o governo brasileiro no evento, o secretário de África e Oriente Médio do Itamaraty, Carlos Sérgio Sobral Duarte, destacou, em sua fala, que “o Iftar simboliza solidariedade e respeito, reunindo milhões de pessoas ao redor do mundo”.
O diplomata destacou que, neste ano, o Ramadã e a Quaresma cristã tiveram início na mesma data, ressaltando valores comuns como jejum, oração, penitência e renovação espiritual. Também enfatizou o histórico brasileiro de acolhimento e apreço pela diversidade cultural e religiosa.
Duarte relatou a preocupação do governo brasileiro com cenários de conflito e instabilidade, mencionando a situação na Palestina, especialmente em Gaza e na Cisjordânia, além da escalada de tensões no Golfo. O secretário afirmou ainda que” o Brasil condena o uso da força e defende soluções negociadas como base para uma paz duradoura, com investimento em medidas de construção de confiança”.












