Diplomata participa de evento que reuniu representantes de entidades nipo-brasileiras
As cinco principais entidades nipo-brasileiras, promoveram, no dia 23 de janeiro, uma Cerimônia de Boas-Vindas ao Embaixador do Japão no Brasil, Yasushi Noguchi. foi uma espécie de “reencontro de velhos amigos”. Ele volta ao Brasil cinco anos e seis meses após deixar o cargo de cônsul-geral do Japão em São Paulo, onde ficou de outubro de 2017 a julho de 2020. Participaram da iniciativa a Bunkyo, Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social , a Enkyo, Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo , Kenren, Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil , a Aliança Cultural Brasil-Japão e da Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil.
Quando deixou o consulado, devido à pandemia, a despedida do embaixador Noguchi ocorreu de forma virtual. Sua atuação, no entanto, marcada sobretudo pelas comemorações dos 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil, e pelas visitas que fez às associações das mais longínquas localidades, deixou muitas saudades.
Seu jeito simples e carismático conquistou até mesmo representantes de entidades nikkeis fora da jurisdição do Consulado Geral do Japão em São Paulo – que abrange os Estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Triângulo Mineiro – como a presidente da Federação Cultural Nippo-Brasileira da Bahia, Lika Kawano, que veio de Salvador para prestigiar a cerimônia, bem como o vice-presidente da Associação Nipo-Brasileira da Amazônia Ocidental (Nippaku), Ken Nishikido.
De longe veio também o presidente do Clube Nipo-Brasileiro de Dourados (SP), Nelio Shigueru Kurimori, que enfrentou uma viagem de quase 20 horas de ônibus.
Rede de amizades – Todos tinham uma história para contar. Assim como os representantes das cinco entidades que discursaram. Presidente do Bunkyo, Roberto Nishio lembrou que, no três anos que permaneceu no país, Yasushi Noguchi visitou “mais cidades que muitos de nós, brasileiros”. “Nessas visitas, ele realizou conexões com as comunidades japonesas locais e criou uma vasta rede de amizades”.
E falou sobre o livro “Reflexões sobre o Japão a partir de São Paulo, em um país longínquo” (2ª edição – 2026). A obra, que todos puderam levar para casa, foi traduzida para o português por Masato Ninomiya e relata as experiências de Yasushi Noguchi durante o período em que serviu como cônsul geral do Japão em São Paulo.
Segundo Nishio, na introdução da primeira edição, o autor conta que “sua primeira missão no Brasil foi intensa, mas agradável”. “Teria sido uma premonição ter escrito ‘minha primeira missão’?”, indagou Nishio, para depois ele mesmo responder: “Certamente, sim”.
O presidente da Enkyo, Paulo Saita, também destacou a atuação do embaixador como cônsul geral do Japão em São Paulo, “período no qual Vossa Excelência contribuiu de maneira significativa para o fortalecimento das relações entre o Japão e a comunidade brasileira, em especial a comunidade nipo-brasileira”
Já o presidente da Kenren lembrou algumas passagens vividas ao lado do então cônsul e hoje embaixador. “Foram momentos que me marcaram bastante”, disse José Taniguti, explicando que “recentemente tive a honra de ser recebido pelo senhor em Tóquio enquanto diretor geral do Departamento para América Latina e Caribe do Ministério dos Negócios Estrangeiros, ocasião em que lhe comuniquei que a Kenren irá comemorar, neste ano, o aniversário de 60 anos de sua fundação”.
Representando a Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil, Wagner Suzuki, da Construtora Hoss, disse que, como embaixador, Yasushi Noguchi vai poder levar seus conhecimentos para mais lugares do Brasil.
Presidente da Aliança Cultural Brasil-Japão, Claudio Takeda explicou que a missão da ACBJ é propagar a cultura e o ensino do idioma japonês. “Este ano, nós completamos 70 anos de atividade e dentro e nosso desafio é acolher e aprofundar esses fortes conhecimentos, estas experiências, e difundimos para toda a sociedade brasileira”, disse.
Sangue japonês
Depois de receber um buquê de flores das mãos do presidente honorário do Bunkyo, Renato Ishikawa, o agora embaixador do Japão no Brasil, Yasushi Noguchi iniciou sua fala agradecendo a presença de muitos amigos.
Lembrou que ficou triste ao ter que deixar o cargo de cônsul geral cinco anos atrás sem poder se despedir pessoalmente como gostaria. Disse que, durante seu mandato, visitou muitas cidades dos Estados de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além do Triângulo Mineiro, e constatou que “os brasileiros têm muito orgulho de ter sangue japonês, antepassados japonês, e também de ter alguma relação com o Japão”.
“E está sempre desejando que o Japão continue sendo um país respeitado, um país pujante, de muita tecnologia, e que possa superar as dificuldades, como os desastres naturais. Graças a vocês, hoje o Japão é um país muito respeitado no Brasil. Graças a vocês, Japão e Brasil são muitos amigos. Como embaixador do Japão no Brasil estou muito animado para fortalecer ainda mais os laços entre Japão e Brasil”, disse Noguchi, que citou a liderança da primeira-ministra Sanae Takaichi como um dos fatores para o Japão voltar a ser uma potência econômica.
“E também fico muito feliz o saber que a comunidade nikkei brasileira está retomando as atividades, superando a pandemia”, afirmou o embaixador, que agradeceu a comunidade nikkei pela acolhida à Princesa Kako por ocasião de sua visita ao Brasil, ponto alto das celebrações dos 130 anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão.
Ex-bolsistas
“Este ano, São Paulo sediará a Copani e teremos também as comemorações dos 60 anos de fundação da Kenren e em 2028 teremos comemoração dos 120 anos da imigração japonesa. Queremos discutir de que maneira podemos festejar. E queremos comemorar o ano de 2028 com muitas alegrias e muitos eventos. E também fico muito feliz, ao saber que a comunidade nikkei, não só os mais antigos, mas também as novas gerações estão tomando iniciativas cada vez mais ativas”, disse Noguchi, afirmando que deseja apoiar ainda mais as atividades de organizações de ex-bolsistas, como a ABJICA e a Associação Brasileira de Ex-Bolsistas do Gaimusho Kenshusei.
Yasushi Noguchi também deu um panorama das relações entre os dois países nos últimos cinco anos. Segundo ele, o Brasil ocupa um papel cada vez mais importante para os japoneses porque, “politicamente o peso do Brasil na arena internacional é cada vez mais maior”. “O Brasil tem muita ligação com diferentes países e também, ao mesmo tempo, o Brasil e o Japão compartilham os mesmos valores como democracia, proteção de direitos humanos ou estado de direito. Então, o Brasil é um país parceiro muito importante para fortalecer e manter a ordem internacional livre e aberta baseada no estado de direito”, destacou.
Terra rara – Na área econômica, Yasushi Noguchi disse que os recursos naturais do Brasil despertam cada vez mais interesse,”sobretudo a terra rara”. “O Brasil é conhecido como a segunda maior potência de terra rara. E terra rara agora é considerado um minério estratégico. Muitos produtos industriais dependem desse material e, como o Japão, depende muito da China para a importação de terra rara, não é muito saudável depender de um determinado país. Então, as empresas japonesas estão agora considerando investimentos em terra rara no Brasil”, afirmou.
Investimentos
O embaixador também apresentou algumas tendências positivas sobre as atividades das empresas japonesas. “Desde 2024, empresas japonesas já anunciaram mais de 45 bilhões de reais em investimentos no Brasil. A Toyota, investiu 11 bilhões de reais criando mil empregos. A Honda, outros 4,2 bilhões de reais; a Hitachi, 1,2 bilhões de reais, e Nissin, 1 bilhão de reais criando 3 mil empregos. Isso demonstra que as empresas japonesas têm muita confiança no Brasil e na economia brasileira”, assegurou Noguchi, que falou ainda sobre a importância do Mercosul para os japoneses.
“Todos sabem que o Mercosul assinou o Tratado de Livre Comércio com a União Europeia, e agora no Japão, no mês passado, Japão e Mercosul lançaram o marco de parceria estratégica no qual Japão e Mercosul pretendem aprofundar as relações comerciais, investimentos, resiliência das cadeias de suprimentos estáveis de alimentos e recursos naturais, além de facilitar negócios de descarbonização”, disse Noguchi, que finalizou seu discurso com um balanço sobre o turismo entre os dois países.
Turismo
Segundo ele, cada vez mais turistas japoneses estão visitando o Brasil e vice e versa. “Comparando 2023 a 2024, houve um aumento de 40% no número de turistas japoneses ao Brasil. E também tivemos um grande salto no número de brasileiros visitando o Japão”, explicou.
De acordo com o Ministério do Turismo, em 2023, o Brasil recebeu 42.341 turistas japoneses (21° no ranking de países emissores), número que subiu para 61.129 em 2024 (18° maior emissor).
A ideia, conta o embaixador, é fomentar não só o intercâmbio de pessoas entre Japão e Brasil, mas também o setor de importações. “Sabemos que o Japão importa muito frango do Brasil. Cerca de 70% da importação japonesa do frango vem do Brasil. Mas agora é a vez da carne suína. De 2022 a 2025 a importação aumentou quatro vezes. Somente no ano passado o Japão importou 400 milhões de dólares”, afirmou o embaixador, que finalizou seu discurso afirmando que 2026 será um ano muito importante para o Brasil “devido as eleições presidenciais”.
Eleições
“Seja quem for o vencedor, Japão e Brasil sempre serão países amigos. Para sempre. E também, outro evento muito importante para o Japão e o Brasil é a Copa Mundial de Futebol, em junho, na América do Norte. O meu desejo é que Japão e Brasil sejam os finalistas, com empate na decisão”, disse Noguchi, que lamentou as mortes de personalidades importantes da comunidade nesse período de cinco anos, entre eles, o empresário Hirofumi Ikesaki (2022); a ex-presidente do Bunkyo, Harumi Goya (2025); o ex-deputado Hatiro Shimomoto (2021) e o jovem Marcelo Hideshima (2023).

O brinde ficou a cargo do ex-desembargador Kazuo Watanabe.
(Aldo Shiguti)









