Nesta sexta-feira, o Brasil transmitiu a presidência do Brics à Índia. Na quarta e última reunião dos negociadores políticos do bloco, conhecidos como “sherpas”, que teve início na quinta-feira (11), o ministro das Relações Exteriores brasileiro, embaixador Mauro Vieira, avaliou o trabalho desenvolvido ao longo do ano.
“Foi, de fato, um esforço de todo o governo, que reflete não somente a amplitude da agenda do Brics, mas também a extensão em que a nossa cooperação agora vai muito além das áreas tradicionais de coordenação política e financeira”, afirmou. O bloco reúne 11 países-membros.
O ministro apontou a necessidade de aproximação na vida prática das pessoas. “Grandes questões internacionais continuarão sendo centrais para o nosso trabalho, mas nossas sociedades também esperam que apresentemos resultados concretos de nossas iniciativas. O Brics deve ser visto não apenas como um fórum de diálogo entre governos, mas também como uma plataforma capaz de gerar benefícios tangíveis para nossos povos”, disse.
No balanço da presidência brasileira, divulgado no site do Brics no Brasil, o embaixador e sherpa Mauricio Lyrio avaliou como positivos os resultados entregues. “Atingimos os objetivos que definimos para nós mesmos. Grande parte disso se deve ao engajamento e trabalho árduo de todas as equipes envolvidas ao longo do ano”, celebrou.
Um dos destaques da presidência brasileira à frente do Brics foi a defesa do multilateralismo, mesmo diante de um cenário mundial complexo. “Enfrentamos um contexto internacional marcado pela desconfiança em várias frentes e pelo próprio questionamento do multilateralismo. Essas tendências exerceram pressão adicional sobre a ação coletiva”, relembrou Lyrio.
“No entanto, as tendências também destacaram a centralidade do Brics como plataforma de diálogo, construção de pontes e articulação de perspectivas que não poderiam ser negligenciadas”, acrescentou.
Como resultado, a Declaração Final de Líderes do bloco condenou guerras, defendeu uma governança global mais inclusiva e reforçou a necessidade de reformar o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU).
“Nossa coordenação não foi apenas uma necessidade prática, mas uma reafirmação de nosso compromisso compartilhado com o multilateralismo em uma ordem internacional mais equilibrada, representativa e cooperativa”, afirmou Lyrio.
O embaixador e sherpa indiano, Sudhakar Dalela, afirmou que a consolidação das conquistas em todas as áreas — política e de segurança, econômica e financeira, e de intercâmbios interpessoais e culturais — evidencia a seriedade com que o Brasil conduziu a presidência do bloco.
“Este ano foi especialmente significativo, pois coincidiu com a fase de consolidação da composição ampliada. A integração de novos parceiros trouxe um equilíbrio delicado, preservando os princípios fundamentais do Brics e ajustando-se às mudanças da governança global. A liderança brasileira tem sido exemplar”, finalizou Sudhakar.





