Andreas Stadler visita a UFRJ, o Museu Nacional e a ExpoZoo. Palestra e doações buscam aproximar o público da sustentabilidade e do enfrentamento aos desafios climáticos
Para promover uma reflexão sobre o papel da arte e da cultura na promoção da sustentabilidade e no enfrentamento dos desafios climáticos, o embaixador da Áustria para o Brasil e para o Suriname, Andreas Stadler, passou a tarde de quinta-feira em unidades da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em seu primeiro compromisso, o representante diplomático deu uma palestra no Centro de Ciências da Saúde (CCS), promovida pelo Fórum de Ciência e Cultura, a Superintendência-Geral de Relações Internacionais e o ExpoZoo do Instituto de Biologia (IB) da UFRJ.
Em seguida, o embaixador austríaco seguiu para o Museu Nacional (MN) para participar da doação das obras “As Máscaras”, de Birgit Graschopf, quadros em homenagem à diversidade brasileira doados pelo governo austríaco, que contou com a presença da própria artista, como também de Amanda Cavalcanti, coordenadora das novas exposições do museu, e de Christine Ruta, coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura e representante da Reitoria da UFRJ.
Ao se apresentar para a plateia no CCS, o embaixador lembrou que esteve recentemente na COP 30 e elogiou a organização e o desempenho do Brasil à frente do evento. Segundo ele, embora existam pessoas que neguem as alterações no clima, há um consenso internacional de que, em breve, os eventos que hoje chamamos de crise passaremos a chamar de catástrofes do clima. “Não importa o regime de governo, continuamos a explorar e destruir a natureza e os seres humanos. E não importa se é na Amazônia ou na Europa, onde a maioria dos países não têm mais florestas”, afirmou.
Para ele, problemas crônicos do meio ambiente, como a perda de biodiversidade, poluição e o esgotamento de recursos naturais, têm relação direta com a filosofia judaico-cristã de que devemos subjugar tudo sobre a Terra. Embasando o raciocínio, Stadler citou o versículo bíblico Gênesis (1:28), no qual Deus abençoou o homem e a mulher, instruindo-os a serem “férteis e multiplicarem-se”, para subjugarem a Terra e a dominarem sobre os peixes do mar, as aves dos céus e todos os animais que se movem pelo planeta.
Andreas Stadler sustentou a ideia de que se a cultura que emergiu das religiões é a raiz dos problemas climáticos, ela também pode ser a solução. O embaixador acredita que novas práticas de comunicação, novas narrativas e experiências sensoriais promovidas por artistas sejam capazes de reverter o cenário. “A arte é o que nos impulsiona para a mudança e esse pode ser o agente para enxergar de uma forma diferente a natureza, um caminho sustentável”, disse ele, citando nomes de vários artistas como Friedensreich Hundertwasser, Olafur Eliasson, Vick Muniz e Ernesto Neto, que em suas obras induzem os visitantes a pensarem melhor em como lidamos com os seres que vivem no planeta.
“Esta agenda só foi possível graças à articulação entre a Superintendência de Divulgação Científica do Fórum de Ciência e Cultura, a Superintendência-Geral de Relações Internacionais e o ExpoZoo do IB/CCS. Quando juntamos a experiência em diplomacia acadêmica com a força da divulgação científica em espaços como o ExpoZoo, aproximamos a agenda climática global do cotidiano de estudantes, pesquisadores e da sociedade que visita a Universidade,” disse Christine Ruta.
O embaixador austríaco seguiu para o Museu Nacional, presenteando a instituição com litografias e desenhos do século XIX, produzidos por gravadores austríacos e por fotografias feitas pela artista Birgit Graschopf no Palmenhaus de Viena, a histórica estufa imperial que abriga espécies exóticas encontradas no Brasil durante as grandes navegações, além de outras plantas de diferentes partes do mundo. As doações passam a integrar permanentemente o acervo do Museu Nacional e poderão ser vistos pelo público após a reabertura do Paço de São Cristóvão, prevista para abril de 2026.
“Receber o embaixador Andreas Stadler para discutir arte, ciência e crise climática e, em seguida, caminhar com ele até o Museu Nacional para acolher as obras de Birgit Graschopf é mais do que um gesto protocolar: é um sinal de que a diplomacia cultural pode aproximar países e, ao mesmo tempo, aproximar o futuro do planeta das salas de aula, dos laboratórios e dos museus. As obras passam a integrar o acervo do Museu Nacional, para lembrar que a arte também regenera: ela devolve voz à diversidade brasileira e ajuda o público a se reconhecer como protagonista no enfrentamento à emergência climática”, concluiu a coordenadora do Fórum.
Fonte: UFRJ





