Decisão de se chegar a um acordo foi tomada em reunião entre os chanceleres dos dois países e encerra crise da Abin
Os chanceleres do Brasil, Mauro Vieira, e do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, anunciaram, em nota conjunta; nesta segunda-feira, 17, a retomada, na primeira quinzena de dezembro de 2025, das negociações sobre a revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu. Com isso, chegou ao fim o impasse criado após a revelação de operações da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em território paraguaio entre 2022 e 2023.
O Anexo C define as regras financeiras e operacionais de Itaipu — tarifas, remuneração e comercialização de energia — e precisava ser revisto após completar 50 anos em 2023. Por envolver diretamente os interesses econômicos de ambos os países, o tema é considerado o pilar da relação bilateral e estava no centro das tensões, já que parte das ações da Abin buscava justamente informações estratégicas relacionadas às negociações.
Segundo o comunicado, os dois ministros se reuniram “a fim de analisar a agenda bilateral” e avançar na normalização das relações. Vieira entregou a Lezcano um relatório confidencial com os esclarecimentos solicitados pelo Paraguai sobre as ações da Abin.
O texto registra que o governo do presidente Lula “tornou sem efeito a operação tão logo dela tomou conhecimento” e que o chanceler brasileiro lamentou “o impacto desse episódio na relação bilateral”, garantindo que o Brasil está adotando medidas para “identificar os envolvidos e permitir sua responsabilização judicial”.
Ainda de acordo com a nota, Lezcano afirmou que, após receber o relatório e ouvir as explicações, o governo paraguaio considera o assunto encerrado. Esse gesto abriu caminho para a retomada do principal tema paralisado desde o início da crise: o Anexo C.
A relação entre Brasil e Paraguai sofreu desgaste após vir a público que agentes da Abin haviam atuado, entre 2022 e 2023, para acessar dados e informações de autoridades paraguaias. A revelação provocou forte reação de Assunção, que convocou o embaixador brasileiro e suspendeu as negociações sobre Itaipu enquanto aguardava explicações formais de Brasília.
O episódio também desencadeou investigações no Paraguai e reações internas no Brasil, que levou à revisão de protocolos e ao reforço do controle sobre atividades da agência de inteligência.





