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Brasil cria modelo para atuação empresarial na COP

16 de outubro de 2025
em Eventos
Tempo de Leitura: 4 mins
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Ricardo Mussa: SB COP criou canal para falar com governos de vários países

Ricardo Mussa: SB COP criou canal para falar com governos de vários países

Confederação Nacional da Indústria (CNI) estruturou participação do setor privado internacional na conferência do clima, em um formato que deve ter continuidade nas próximas COPs. Seminário Pré-COP nesta quarta-feira (15) em Brasília fez parte da estratégia.

No mês passado, o setor privado internacional entregou as suas recomendações para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30). Nesta quarta-feira (15), expôs em seminário em Brasília casos de empresas que são sucesso em sustentabilidade. Durante a conferência, no mês que vem, apresentará um documento com o legado do setor privado para o Brasil a partir da COP30.

Todos esses passos, encabeçados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), uma instituição brasileira, compõem um jeito inovador e estruturado do empresariado mundial participar das discussões sobre a mudança do clima, que neste ano ocorrerão na COP30 em novembro, na cidade brasileira de Belém, no Pará. No total, são 67 países representados nessa voz empresarial conjunta, o que é novo para COPs.

Ricardo Mussa: SB COP criou canal para falar com governos de vários países

Chamada de Sustainable Business COP (SB COP), a estratégia que o setor privado desenvolveu para se fazer presente numa conversa governamental – nas COPs falam os governos de cada país orquestrados pelas Nações Unidas – foi apresentada no seminário “PRÉ-COP30: O Papel do Setor Privado na Agenda de Clima”, no Unique Palace, na capital federal, nesta quarta-feira.

Falando no encontro, Dan Ioschpe, Campeão de Alto Nível do Clima da COP30, elogiou a ideia. “Está dando frutos e é muito conectada com aquilo que a gente deseja, não só para a COP30, COP da Amazônia, COP do Brasil, mas provavelmente para o ciclo de COPs que estão à nossa frente. E eu aqui posso dizer que é a visão de todos com quem eu tenho falado, seja na esfera de governos, seja na esfera privada”, disse ele.

Nas últimas COPs, o setor privado teve alguma participação, mas principalmente em um espaço de expositores, quase sempre com grandes empresas, e não estruturada e com voz internacional conjunta como neste ano. “Você tinha setores, mas nunca de forma integrada”, explicou para a ANBA o chair da SB COP, Ricardo Mussa. Segundo ele, a CNI se espelhou no B20, grupo que reúne o setor privado dos países do G20, para criar a SB COP. O G20 representa as maiores economias mundiais, inclusive Brasil.

Cases sustentáveis estiveram no foco do seminário, em Brasília

Mussa destaca a representatividade internacional da SB COP e cita inclusive, a participação da União das Câmaras Árabes, que representa o setor privado dos países árabes. O engajamento da entidade com a iniciativa foi intermediado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira. “Essas associações de indústria e comércio representam milhões de empresas”, disse Mussa, explicando que isso ajudou a abrir espaço junto às Nações Unidas. No total, 40 milhões de empresas estão representadas na SB COP, de acordo com o chair.

As recomendações para a conferência oficial foram elaboradas a partir de grupos de trabalho e forças tarefas formados por CEOs de grandes empresas, consultorias, associações e confederações empresariais. Os participantes de cada país se encarregaram de defendê-las junto ao seu governo local. Elas foram entregues no mês passado para a presidência da COP30 em evento da SB COP, em Nova York.

Além das recomendações, a SB COP resolveu trazer para a sua ação maior tangibilidade. Chamou o setor privado a dividir suas práticas sustentáveis, elencando assim uma série delas para apresentar ao mundo. Entre os bons exemplos, 48 foram selecionados e serão divulgados em um estande na COP de Belém. Mussa conta que o objetivo é mostrar práticas que deram certo no setor privado, mas também a política pública existente para que elas funcionassem.  “Estamos tentando provar para o setor público com cases concretos, não com uma ideia”, explicou. Já a terceira entrega do SB COP será na própria COP de Belém, quando será apresentado um documento chamado Legado para o Brasil.

Os criadores da iniciativa da SB COP pretendem que ela tenha continuidade e seja liderada sempre pelo setor privado de cada país sede da COP. Ou seja, no ano que vem esse bastão passaria para o empresariado australiano, já que a conferência se dará na Austrália. “Para mim, a maior inovação é a gente conseguir, de alguma maneira, organizar melhor o setor privado para poder falar com o setor público”, disse Mussa para a reportagem da ANBA. “Você acaba tendo um canal para falar com os governos de vários países. É como se a gente fizesse uma mini ONU do setor privado”, afirmou ele.

Fonte: ANBA

Tags: BrasilCNIConfederaçãoCOP 28empresarialmodelo atuaçãoRicardo Mussa
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